Nothing is the world is strange, my friend
Inside of me and you
There is unrestricted love
The hate of the killers
The actions of the saints
The cowardice of the bandits
The dust of the first star
And the traces left by the water:
XXXX (of the) XGreat flood
XXXXXXXXXXXX Sea of Galilee
XXXXXXXXXXXX River Benares
XXXXXXXXXXXX Tietê waters
XXXXXXXXXXXX Japanese Sea
Magnets of the radioactivity.
A delusion of the world of chaos
By endemic images
Inviting us to illusory and idyllic trips.
There are in the inside of our being
XXXXXXXXXXXX The vineyard
XXXXXXXXXXXX Wine and bread
TXXXXXXXXXXX The entire and Holy Supper
XXXXXXXXXXX XThe hate
XXXXXXXXXXX XThe forgiveness
XXXXXXXXXXXX All this is shared.
But, reader, there is inside of me
An anguish that is unknown:
The wonder of being alive
Contemplating the original beauty
And there is the uncontrollable desire to bloom
Like the mystic rose in the heart of Christ.
Autoria: Renata Bomfim
Tradução: Sunny Lóra
16/09/2011
Descaso ambiental na Praia de Camburi- Vitória/ES
Amigos, como podemos chamar o descampasso entre o discurso e a ação? Acredito que, HIPOCRISIA! Pois bem, estas fotos são da nova obra realizada eno final da Praia de Camburi, onde estão os responsáveis pelo impacto ambiental? Já não basta as festas que além de sujarem toda a prais e destruírem os jardins (pagos com o nosso dinheiro) não respeitam a cobertura de restinga, os animais que ali residem (garças, corujas, tauís, caramguijos, etc.) Enfim, é de cortar o coração ver esta garça (e outras) sem rumo e sem norte na Paria, pois o local onde ficavam virou canteiro de obras. Será que ninguém vê? amigos, o que podemos fazer?
15/09/2011
Vila Rubim : Vergonha ambiental (parte 2)
Amigos, exatamante no dia 23 de setembro de 2010 eu postei uma denuncia sobre a existência de comércio ilegal de pássaros na Vila Rubin (veja o post). A lista de discursão (de educação ambiental que participo no ES) ficou lotada de respostas, as autoridades empurraram pra lá, empurraram pra cá... Mas, a situação na Vila Rubím estava (e sempre esteve) explicita para quem quisesse ver: pássaros amontoados em gaiolas pequenas e em condições precárias e venda de coisas proibidas como estrelas do mar, xaxins. Apenas hoje (13 set 2011), um ano depois, o IBAMA apreendeu os pássaros e viu que o angú na Vila Rubim era muito mais encaroçado... Eu ficaria muito feliz em saber o porquê da demora em libertar estes pássaros e acabar com este comércio indecente de animais silvestres. Enquanto isso, as matas da nossa região vão sendo esvaziadas... Infelizmente essa conta será para pelas futuras gerações.
14/09/2011
AFESL: Reunião de setembro e palestra com Marilene Guzella Martins Lemos
Olá amigos, mensalmente as acadêmicas da AFESL (Academia Feminina Espírito-Santense de Letras) se reunem para discutir questão referentes ao grupo, sobre publicações e ações no campo da literatura. Depois das reuniões das acadêmicas, temos uma palestra com escritores e pesquisadores convidados.
Hoje (13/09) nossa convidada foi a professora e pesquisadora mineira Marilene Guzella Matins Lemos que nos falou sobre a sua paixão e pesquisas acerca do carnaval. A palestra intitulada Revivendo antigos carnavais foi simplesmente maravilhosa, a escritora traçou paralelos entre as antigas marchinas de carnaval e questões sociais e políticas. Ao final da palestra Marilena nos brindou com uma magnifica história.
Não posso deixar de registrar a bonita homenagem que a professora Ester Abreu Vieira de Oliveira, nossa presidente, fez a Ivone Amorim, confreira que nos deixou por estes dias. Quero agradecer a querida confreira Felicidade Méia (ver foto) pelo livro O banco de jardim, amei e irei lê-lo com carinho. Esta obra é um romance, e em breve postarei algumas palavras sobre ele.
Meu abraço fraterno a todos,
Renata Bomfim
12/09/2011
O 1º Prêmio "virtual" Letra e Fel vai para o Caderno de Cultura Pensar, do Jornal A Gazeta
Olá amigos leitores, é com alegria que o Letra e Fel oferece este troféu ao Caderno de Cultura Pensar, do Jornal A Gazeta. Esta homenagem demonstra o nosso carinho e reconhecimento e vai para o escritor e jornalista José Roberto Santos Neves, idealizador do Caderno, para a equipe que se dedica para que o Pensar seja produzido e publicado, e para os escritores e pesquisadores que colaboram enviando os seus textos. Esperamos que outras mídias sigam o exemplo.Amigos, o virtual é apenas por enquanto, pois estamos definindo o formato da estatueta e, assim ela estiver pronta marcaremos para entrega-la.
A extemporaneidade da escritora capixaba Guillly Furtado Bandeira, primeira brasileira a ingressar em uma Academia de Letras
No dia 11 de maio de 2011 o professor e amigo Francisco Aurélio Ribeiro lançou o fac-simile da obra Esmaltes e camafeus, da escritora capixaba Guilly Furtado Bandeira. Foi uma grata surpresa conhecer a escrita de Guilly e comprovar o seu valor e extemporaneidade. A escritora (confreira e amiga) Jô Drumond fez um estudo aprofundado para esta obra, intitulou-o O ecletismo literário de Guilly Furtado. Nele, Jô destacou variados aspectos da obra de Guilly, bem como, o pioneirismo da escritora, afinal, ela foi a primeira capixaba a publicar um livro, em 1914, e também, a primeira (e única) mulher a ingressar na Academia de Letras do Pará, numa época em que estes espaços eram vedados às mulheres.
Raquel de Queirós foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, isso apenas em 1977, já na Academia Espírito-Santense de Letras, Judite Leão Castello Ribeiroa foi primeira acadêmica, em 1980. A Academia Francesa de Letras só permitiu o ingresso de uma mulher em seus quadros de escritores em 1981, após 346 anos de existência.
As mulheres intelectuais sofriam muitos preconceitos, eram consideradas até certo ponto, aberrações, um desvio, visto que o lugar social para elas destinado era o do silêncio. Bem possivelmente o casamento interrompeu a carreira literária de Guilly, algo comum entre as escritoras de sua época, pois os maridos não permitiam que as esposas se expusessem em público. Guilly sofreu com a critica preconceituosa de sua época, José Verissimo disse a respeito da sua obra: “Como é natural e desculpável, especialmente em moça estreante, ela tem o vulgarissimo preconceito, a ilusão da frase enfeitada com palavreado raro, ou “dificil”, [...] neologismos impertinentes e queijandos pecados, talvez veniais”.
As mulheres intelectuais sofriam muitos preconceitos, eram consideradas até certo ponto, aberrações, um desvio, visto que o lugar social para elas destinado era o do silêncio. Bem possivelmente o casamento interrompeu a carreira literária de Guilly, algo comum entre as escritoras de sua época, pois os maridos não permitiam que as esposas se expusessem em público. Guilly sofreu com a critica preconceituosa de sua época, José Verissimo disse a respeito da sua obra: “Como é natural e desculpável, especialmente em moça estreante, ela tem o vulgarissimo preconceito, a ilusão da frase enfeitada com palavreado raro, ou “dificil”, [...] neologismos impertinentes e queijandos pecados, talvez veniais”.
A obra de Guilly, Esmaltes e camafeus, aborda temas polêmicos como a aceitação da bigamia feminina, o ceticismo e a revolta contra os falsos ensinamentos religiosos. A obra de Guilly tem elementos do Simbolismo, nela encontramos o panteísmo que transforma a natureza em protagonista na obra e não um mero cenário para os idílios: “Paraiva em tudo um desconhecido frêmito de goz. A atmosphera marbida e cansada entorpecia os sentidos acordando uma sensação extranha, e mysterioso fluido espalhava-se subtil, em suaves effuvios, de toda aquela região adormecida.” Além de contos Guilly também escreveu poemas. Segue o poema intitulado Sorrisos:
O "meu demônio", hoje, está cantando;
Despertou-me num beijo tão profundo,
Que o coração de amor ficou vibrando,
Numa alucinação de um novo mundo.
Olhei em torno e vi, desabrochando,
No seio podre, larvacento, imundo,
Do pântano da vida, miserando,
O lírio puro, de um sonhar fecundo.
E o "meu demônio", a rir, na flor de sangue
De uma papoula altiva, ruiva e bela
Fez exsurgir a sua face exangue
Num delírio de risos e de guisos,
Como um palhaço... E seu olhar se estiola
De minha boca à flor, feito sorrisos...
Guilly Furtado Bandeira nasceu no dia 12 de março de 1890 e foi batizada no dia 06 de abril de 1891, no Convento da Penha. Seu pai se chamava Francisco Raymundo Furtado Júnior, e sua mãe, Laurentina Tesch Furtado.
Mais sobre Guilly
O "meu demônio", hoje, está cantando;
Despertou-me num beijo tão profundo,
Que o coração de amor ficou vibrando,
Numa alucinação de um novo mundo.
Olhei em torno e vi, desabrochando,
No seio podre, larvacento, imundo,
Do pântano da vida, miserando,
O lírio puro, de um sonhar fecundo.
E o "meu demônio", a rir, na flor de sangue
De uma papoula altiva, ruiva e bela
Fez exsurgir a sua face exangue
Num delírio de risos e de guisos,
Como um palhaço... E seu olhar se estiola
De minha boca à flor, feito sorrisos...
Guilly Furtado Bandeira nasceu no dia 12 de março de 1890 e foi batizada no dia 06 de abril de 1891, no Convento da Penha. Seu pai se chamava Francisco Raymundo Furtado Júnior, e sua mãe, Laurentina Tesch Furtado.
Mais sobre Guilly
11/09/2011
Labirintos da América Latina: o Pachuco e outros extremos
Se engana quem acredita que no labirinto, se é presa ou predador. Há outra alternativa, ser Dédalo, e construir a própria fuga. Essa foi a reflexão que me veio quando li o extraordinário texto de Octávio Paz intitulado O Pachuco e outros extremos. Octávio Paz integra uma safra de críticos literários que vem repensando a América Latina a partir de si mesma, de seus pressupostos e particularidades. Fiz um apanhado desse texto que foi escrito, em parte, nos Estados Unidos. Nele, o escritor faz uma comparação entre o processo de desenvolvimento psíquico de um indivíduo e de uma nação, e destaca que a consciência é a “muralha transparente”que se impõe entre o ser o e mundo. Paz destaca a solidão como companheira do homem desde que nasce, fala das brincadeiras que este empreende na infância, e do trabalho que lhe permite transcender a solidão. A singularidade é uma descoberta importante, mas, ela pode se tornar um problema, ao passo que torna a consciência uma “inquisidora”. O processo de desenvolvimento humano assemelha-se ao de uma nação, pois, quando a consciência nacional irrompe, há um questionamento sobre si e o despertar para a história de sua singularidade. O tempo é o elemento responsável por corrigir as respostas que damos aos questionamentos emergentes. Octávio Paz fala sobre a singularidade do seu país, o México, e lança a seguinte pergunta: “o que pode nos diferenciar do resto dos povos”? O escritor esclarece que a “originalidade” de caráter de um povo é sempre duvidosa, pois as circunstâncias mudam e a criação está sempre em ação. Esta reflexão adveio ao crítico quando ele refletia sobre a arte mexicana. Paz pensava que a arte os singularizava enquanto povo, mas descobriu que ela vai além, ela expressas os anseios desse povo e ajuda a recriá-los. Paz pergunta também: como o medo pode influenciar na análise? Ele cita Samuel Ramos, para quem o sentimento de inferioridade influencia na análise. Ramos explica que a escassez de criações leva instintivamente a idéia de uma incapacidade de criar. Paz destaca no seu texto que o mexicano, hoje, está exatamente no processo de auto-questionamento, ele se interroga, e isso é natural no processo de crescimento, especialmente depois de uma fase de revolução. O mexicano se volta para dentro, se contempla, e as perguntas formuladas agora só o tempo responderá. No território mexicano convivem diferentes raças, línguas, níveis históricos, e há aqueles que vivem antes da história. Os “otomis”, por exemplo, vivem à margem. Várias épocas se confrontam, ignoram e, até mesmo, entredevoram, separados, às vezes, por poucos quilômetros. Sob o mesmo céu, um mosaico, diversidade total, Paz afirma que nem as épocas ancestrais deixam de existir e nem as feridas mais antigas, que ainda jorram sangue. O escritor estudou um grupo de mexicanos bem especifico, “concreto”, formado por pessoas que tem consciência de si como mexicanas. Este grupo, embora reduzido, ou seja, “minoria”, não está fechada e se metamorfosea, “é ativa”, ela cresce e conquista o México. No tempo em que viveu em Los Angeles, Paz conviveu com outros mexicanos, e compartilhou da mexicanidade do lugar: seus adornos chamativos, o descuido, o fausto, a negligência, a paixão e a reserva. O critico foi categórico ao afirmar que “eles se fantasiam”. Sensíveis como “Pêndulos” que oscilam com violência e descompassados, esse grupo se apresenta como Pachuco. Paz esclarece que os Pachucos são um bando de jovens geralmente originários do México, eles possuem linguagem própria, assim como é próprio o seu jeito de vestir. Rebeldes instintivos, os Pachucos não reivindicam a sua raça, antes, eles buscam ser “diferentes dos outros”. Tudo neles é impulso, enigma, nó e contradição. É contra eles que se voltam o ódio e o racismo norte- americano. Embora o Pachuco não queira voltar a origem mexicana, ele também não quer fundir-se a vida norte- americana. Mas, afirma Paz, queiram ou não, eles são mexicanos, ou melhor, eles são o extremo a que pode chegar um mexicano. Essa afirmação exasperada da personalidade é uma estratégia de resistência frente à recusa dos norte-americanos, e a sua incapacidade de adequação. O Pachuco aponta para a incapacidade da sociedade de lidar com as diferenças, ele é órfão de “valedores” e de “valores”, e é aí que ele se afirma enquanto diferente. O Pachuco perdeu a sua herança (língua, mitos, religião, crenças), o disfarce o protege, destaca e isola. Para Paz a novidade do pachuquismo está no exagero que o torna “imprático”, quer algo mais anti-norte-americano? O caráter do Pachuco é ambíguo, ele possui um desejo sádico de auto-humilhação, dessa forma, como vítima, ele encontra um lugar no mundo. Os norte-americanos temem o Pachuco pois enxergam nele um ser mítico que perturba e fascina. Desligado de sua cultura mãe, o Pachuco não afirma nada, apenas o seu desejo de “não-ser”. Paz afirmou: “Sim! Fechamo-nos em nós mesmos”, “estamos ensimesmados”, destacando que este isolamento só faz aumentar a solidão. A solidão do mexicano é a morada, tanto do sentimento de inferioridade, quanto dos insaciáveis desuses mexicanos. A história México é a história do homem que busca a sua origem. A pesquisadora chilena Ana Pizarro na obra O Sul e os trópicos destacou que está havendo um despertar da critica latino-americana, especialmente a partir de 1960, quando se impôs no continente Latino- Americano, “de forma quase militante”, a idéia de “busca de identidade”. Foi neste período, também, que a América Latina se inseriu, forma majoritária, mas, ainda em caráter periférico, no contexto internacional, e experimentou um desenvolvimento histórico e cultural, a partir da incorporação de elementos, tanto do espaço internacional, quanto do regional. Essa busca de identidade é própria das culturas herdeiras dos processos coloniais e significava o “des-velar de um corpo escondido, estático, uma unidade orgânica unitária, harmônica em sua carência de contradição, convergente em sua diversidade”. Paradoxalmente, os questionamentos resultantes das inquietações de busca de identidade, revelaram não uma identidade fixa, mas “identidades em evolução, em construção, em jogo de diacronias”. A partir de então, revelou-se uma América Latina paradoxal. Pensar os labirintos da América Latina pressupõe refazer um trajeto histórico que, até bem pouco tempo, era encarado como verdadeiro e absoluto, mas que, a partir da modernidade tardia, mostrou-se atrelado a interesses de elites, geralmente européias. Referência:
- PAZ, O. O labirinto da solidão e Post-scriptum. Trad: Eliane Zagury, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2ª Edição, 1984.
- PIZARRO, Ana. O Sul e os Trópicos: ensaios de cultura latino-americana. Niterói: Editora da Universidade federal Fluminense, 2006.
10/09/2011
O cão alado
O cão possui asas,
não pisa o chão.
Voa para viver,
vive de voar.
O cão alado não tem lar,
e nem poder.
Late, late, late e chora,
até não suportar o som que sai
de suas entranhas.
Ele então morde as próprias pernas
corre atrás do próprio rabo.
O cão alado não tem lado,
O cão: não, não, não!
Se quiseres encontrá-lo,
ele aparece, de vez em quando,
onde ficam as bestas que,
lambem as feridas da saudade e,
correm pelas estradas da utopia
atraz dos ossos da felicidade.
não pisa o chão.
Voa para viver,
vive de voar.
O cão alado não tem lar,
e nem poder.
Late, late, late e chora,
até não suportar o som que sai
de suas entranhas.
Ele então morde as próprias pernas
corre atrás do próprio rabo.
O cão alado não tem lado,
O cão: não, não, não!
Se quiseres encontrá-lo,
ele aparece, de vez em quando,
onde ficam as bestas que,
lambem as feridas da saudade e,
correm pelas estradas da utopia
atraz dos ossos da felicidade.
Os olhos de Joaninha II
Os olhos de Joaninha,
São ondas do mar,
Eu sou um golfinho.
Seguimos para além do óbvio
para o lugar onde
imagem e ação vivem em harmonia.
Os olhos de Joaninha são
o céu...
Eu, pluma desgarrada
da asa esquerda do patinho feio.
Quando sinto medo e solidão,
me embriago no azul juju
e plaino leve...
Os olhos dessa moleca esperta
são pepitas que guardo
dentro do meu coração.
São ondas do mar,
Eu sou um golfinho.
Seguimos para além do óbvio
para o lugar onde
imagem e ação vivem em harmonia.
Os olhos de Joaninha são
o céu...
Eu, pluma desgarrada
da asa esquerda do patinho feio.
Quando sinto medo e solidão,
me embriago no azul juju
e plaino leve...
Os olhos dessa moleca esperta
são pepitas que guardo
dentro do meu coração.
09/09/2011
Vitória
XXXX para a ilha que amo...
Eu canto,
XXXX da margem,
XXXX do cais,
XXXX dos becos escuros.
Eu canto!
Cercada por águas ancestrais,
Sou Vitória!
XXXX Força e resistência!
Da margem para os centros,
XXXX surdos,
XXXX mudos,
XXXX hipócritas...
Eu canto!
Mãe-D'agua, Saci-Pererê, Bois Tatás,
micos, pássaros, ganbás, onças, formigas,
coelhos, cabritos, cobras, lagartos e
homens e mulheres de bem,
encontram aqui vida e abundância.
Não existe tristezas e nem dor.
Sou Vitória e acolho estranhezas
como quem colhe flores,
um raio de sol,
uma gota de orvalho fresca
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX e límpida.
Sou a belezas que poucos reconhecem.
Sou a vitória dos diferentes
XXXX sóis,
XXXX luas,
XXXX ventos
XXXX marés...
Minha ilha,
todas essas belezas e farturas
distribuis com generosidade...
És singular,
única!
O meu canto ecoa
da margem para os centros,
ele encanta, irrita e assusta.
Eu canto,
XXXX da margem,
XXXX do cais,
XXXX dos becos escuros.
Eu canto!
Cercada por águas ancestrais,
Sou Vitória!
XXXX Força e resistência!
Da margem para os centros,
XXXX surdos,
XXXX mudos,
XXXX hipócritas...
Eu canto!
Mãe-D'agua, Saci-Pererê, Bois Tatás,
micos, pássaros, ganbás, onças, formigas,
coelhos, cabritos, cobras, lagartos e
homens e mulheres de bem,
encontram aqui vida e abundância.
Não existe tristezas e nem dor.
Sou Vitória e acolho estranhezas
como quem colhe flores,
um raio de sol,
uma gota de orvalho fresca
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX e límpida.
Sou a belezas que poucos reconhecem.
Sou a vitória dos diferentes
XXXX sóis,
XXXX luas,
XXXX ventos
XXXX marés...
Minha ilha,
todas essas belezas e farturas
distribuis com generosidade...
És singular,
única!
O meu canto ecoa
da margem para os centros,
ele encanta, irrita e assusta.
08/09/2011
Parabéns Vitória!
Vitória completa hoje 460 anos. É um privilégio ter nascido nessa Ilha tão bela, mas, infelizmente, tão sofrida. Que nós, capixabas, possamos cuidar melhor dessa jóia que é a nossa cidade, que possamos nos envolver mais nos assuntos que lhe dizem respeito, que possamos defendê-la da fúria do capitalismo selvagem e da ignorância daqueles que poluem a sua água, o seu ar, que destróem seus patrimônios naturais (praias, mangues, montanhas, fauna, etc.) e culturais. Enfim, que a nossa iIlha, e todos os seus filhos e filhas, sejam a cada ano mais felizes! AMÈM!
02/09/2011
UMA LEITURA POÉTICA DO TAROT, POR RENATA BOMFIM ( Maria Lúcia Dal Farra)
O tratamento literário do Tarot, pelo menos a partir do século XIX, passa pelo seu próprio renovador: Eliphas Lévi. Contemporâneo de Baudelaire, o ex-Abade Constant é o autor de “Les correspondances”. Publicado em Les trois harmonies (1845), o poema entremostra similaridades de composição com o “Correspondances” de Baudelaire. O tipo de analogias praticadas em ambos é uma manifestação da tradição hermética e esotérica que, na altura, comparece, para os horizontes da literatura, como uma via alternativa de afronta e resistência aos discursos dominantes e às leis de consumo decorrentes do nascente capitalismo.
Composto mais ou menos na época que o de Constant, entre 1845 e 1846 (embora só publicado em 1857, no Les fleurs du mal), o poema de Baudelaire expõe, como o do Abade, a crença num simbolismo universal, em que tudo participa de tudo. Em ambos, a busca da unidade primordial é, portanto, notável¹ . Mas é em Dogme et Rituel de la Haute Magie (1855) que, pelas mãos de Lévi, o Tarot se atualiza inaugurando-se na chamada escola moderna. O (agora) Mago acrescenta, pois, à interpretação dos Arcanos (dos segredos e dos mistérios), a Cabala Hermética e certa contribuição da Alquimia: a simbologia dos quatro elementos.
No mesmo ano de publicação dessa obra, Gérard de Nerval, extraordinário e contumaz leitor do Ocultismo, e, por isso mesmo, decisivo escritor francês (divisor de águas entre o Romantismo e a Modernidade) se suicida. No ano anterior ele havia publicado o volume de sonetos Les chimères, que estampava “El desdichado”, poema nascido da leitura de uma carta do Tarot, a do Arcano 16, carta determinantemente premonitória do seu fim² . O Tarot mostrava, assim, a sua face divinatória à literatura. Mas o compêndio simbólico-oracular, em que o Tarot também fora se transformado ao longo do tempo, exporá, depois, o seu sortilégio, na promessa que Nerval firmara ainda naquela obra: malgrado a morte, ele retornaria.
Se a “torre derrubada” e a “destruição”, contidas no dito Arcano, esculpiram, para o escritor francês, o seu destino pessoal, André Breton tomará para si, quase cem anos mais tarde (entre 1944 e 1947), a missão de rediviver o estimado escritor e comparsa esotérico. Em Arcano 17, Breton elege tal carta como objeto da última de suas obras em prosa - justo o Arcano que promete o prodígio do renascimento. A tetralogia em prosa de Breton tivera início em 1928, com Nadja, seguida de Les vases communicants (em 1932), de L´amour fou (em 1937), culminando, dez anos depois, com o Arcane 17. Desde Nadja, entretanto, Nerval pulsa na obra de Breton, e agora, em 1947, ele toma definitivamente lugar nela.
Lançando como seu guia a “Estrela da Manhã”, Breton conserva a perspectiva hermética da tradição literária incrementada pelo compatriota, simbolicamente explicitada na tomada do Arcano seguinte ao manipulado por Nerval; Breton trata, pois, da carta redentora. É dessa maneira que o surrealista ritualiza o regresso de Nerval – o seu retorno prometido. A “Estrela” é indício de nascimento, de esperança no futuro, de conhecimento e gnose, de luz; luz que se exerce por meio de três vias: a poesia, a liberdade e o amor, apanágios dessa marcante obra de 1947³ .
Creio que é nessa linhagem que cabe inserir o presente livro de poemas de Renata Bonfim, Arcano Dezenove 4 , visto que, além do mais, ele é todo armado sobre o tripé das mesmas palavras de ordem de Breton: poesia, liberdade, amor. Se, da sua parte, se trata ou não de determinação consciente, sequer importa; o célebre “acaso objetivo” surrealista é para mim suficiente para justificar tais curto-circuitos da analogia, essa rede de ecos que, sob a descontinuidade, é capaz de descortinar uma outra ordem que, ocultamente, lhe dá sentido e seguimento. E esse me parece ser deveras o caso.
Se o livro de Renata tem por título o Arcano 19, a primeira ansiedade (na sequência da minha cogitação) seria a de tentar entender o salto do dezessete bretoniano para o dezenove bomfiniano. Por que Renata, para chegar ao dezenove, não passa pelo Arcano intermediário?
Pra já, se nos ocupamos do Tarot, temos de tomar como ponto de partida a Lâmina do baralho, de suma importância para a decodificação simbólica - primeira riqueza especulativa para o ingresso no jogo que é, como se sabe, nem um pouco linear. Cada carta só adquire real valor na disposição em que se encontra no contexto de outras tantas: como as palavras, como a língua (também objeto do livro de Renata), seu significado é absolutamente relativo, ganhando força e convicção na medida em que entretém, com as outras cartas, laços de atração e repulsa que formulam a sua própria linguagem, o discurso da vez - o que enuncia a jogada atual, a tiragem do acaso.
Pois não é que o volume de Renata, que tem por título o arcano seguinte, ostenta, como sua apresentação e cobertura, o arcano anterior? Melhor dizendo: não é que o volume de Renata, que anuncia o Arcano 19, se expõe como uma decisão interpretativa do Arcano 18?
A capa de Arcano Dezenove estampa, como constato, a Lâmina que resulta da leitura que a consulente (diante de um cenário eventual de cartas ligadas por tais parentescos conflituosos e harmônicos) elaborou do Arcano anterior. É ao desvendamento pessoal do Arcano 18 que a capa do presente Arcano Dezenove faz alusão - ou melhor dizendo: é essa chave, essa decifração, que o invólucro do livro definitivamente espelha. O que faz com que, ali mesmo (e por antecipação, já que a posição da Lâmina nos é frontal), o 18 conviva com o 19 - como pressuposto para a leitura do volume que o receptor desvelará ao virar a primeira página: como condição mesma para a travessia dele.
É como se, para entrarmos no domínio do que a cobertura do livro anuncia ao cimo, ou seja, para conhecermos esse território do Arcano 19, tivéssemos necessariamente de entender as circunstâncias impostas, pela sua autora, à carta anterior. De maneira que a capa se exibe enquanto pórtico, enquanto senha - como um código para o compartilhamento daquilo que o livro de poemas enfeixa.
Tento ler, portanto, o recorte que essa ilustração de entrada faz sobre a Lâmina 18. A “Lua”, indecisa entre a face máscula e a fêmea, põe a tônica sobre a mulher, sem desvencilhá-la do seu lado noturno, presente nas suas vestes mas quebrado pelo aspecto positivo indicado no arminho que desliza da consulente (e da Figura) para o chão, para a terra - para o ouro alquímico 5 . Os dois cães, ou o cão e o lobo da lâmina original estão confluídos e catalisados no cachorro de duas cores que essa mulher dubiamente domina e acaricia, posse sua e agente ou guia seus. Na capa, a única torre erguida no cenário é a da vegetação, coluna de rosas, uma vertical corbeille vermelha (versão das várias plantas que compõem a carta referencial), que faz pendant com a cortina de veludo, de igual tonalidade e quentura erótica, e que salpica (ampliando os matizes) o cabelo da Figura. O escorpião não está à mostra, mas sabê-lo imerso no vaso hermético (no Vaso de Hermes) da poetisa: é o seu signo astrológico.
A Lâmina que a capa compõe é toda luz e sombra, magia branca e negra, incerteza melíflua: basta reparar no sorriso ambíguo da Figura (ou da consulente – a luz da “Lua” é reflexiva, e, portanto, as duas mulheres refletem a mesma: a poetisa) que, dessa forma, disfarça a luta que se trava entre as forças tenebrosas, entre a porta do Inferno e a do Céu (conforme o solstício seja do inverno ou do verão), entre a Lua e o Sol – “Sol” que anuncia o Arcano que nomeia o livro.
A Lâmina explicita, portanto, essa caçadora celeste, essa divindade lunar (Artemisa, Diana, Hécate) – imagem que se aglutinará durante a leitura do livro, graças mesmo a esse simbolismo de trânsito, de passagem, de viagem heróica que o Arcano 18 encerra. Do plano iniciático da via úmida lunar nascerá a Feiticeira, a Maga e a Poetisa que, viajando em corpo etéreo (o “corpo cósmico” tão referido no volume) da Noite para o Dia, da Luz Noturna para a Luz Solar que o Arcano 19 encerra, buscará despertar, com suas palavras, aquilo que dorme. Aliando-se ao Sol, ao Fogo Criador e à Pedra Filosofal próprias do Arcano 19, a Poetisa procurará representar o Centro da Consciência capaz de abranger e dar voz ao Universo.
É sob o sortilégio dessa Lâmina que passo a ler os poemas de Renata Bomfim, que se dividem em sessenta e um organizados em torno de cinco seções: “Arcano Dezenove”, “Memória”, “Quintessência”, “Onde os tempos se encontram” e “Rituais”.
No primeiro, a predominância da metalinguagem é palpável: interessa especular sobre o papel do poeta, da letra, da poesia, da escrita e da sua missão, enfim, sobre os milagres da palavra. O mundo é visto como manifestação lingüística e permanente festa (“Dionísio”) e a poesia, “palavra/dando cria” (“Poesia I”), compreende milhares de existências simultâneas, aquilo que é comum e é diverso, lugar onde triunfa a palavra insurrecta, espaço oculto, messiânico, árvore que deve brotar por todo o canto.
Acerca da poesia, portanto, o processo de mutação do estranho e distante em componente familiar e doméstico (a poesia se encontra, afinal, em sua Casa) é obtido por um regime de deglutição, exposto com muita graça e ironia neste pequeno poema intitulado “Poesia II”:
O grego e o latim
encharcam a minha língua
com veneno,
produzindo a poesia
que desce redondilha
garganta abaixo. (p.30)
Veja-se que o nobre e o alto (o “grego” e o “latim”), pressentidos enquanto “veneno” para a “língua” (esse órgão de degustação), uma vez assimilados pela “garganta” que os vai emitir a fim de transformá-los em “poesia” - resultam em “redondilha”, ou seja, na justa medida do... feminino. Assim, é de se convir, que a poética daí criada (e derivada das línguas primordiais do português) é popular, buscando apresentar uma outra versão das formas ilustres (certamente pertenças do mundo masculino). Estas, uma vez ingeridas forçadamente (visto que descem redondas garganta abaixo – e esse é o trocadilho com o qual o poema brinca), acabam alterando por inteiro a forma com que foram impostas à garganta. A “redondilha” torna-se, portanto, uma conquista particular da Poetisa.
Todavia, homem ou mulher (Ruben Dario e Florbela são o casal guardião dessa poesia), o poeta está sempre à mercê de tudo. É muitos e ninguém, é tudo e nada, é um paradoxo; alimenta-se de si e dos outros, é um ser que se perpetua através dos tempos, que se encarna em alheios, em busca do mistério da outridade. Assim, a letra é concebida como a Eva primordial, cuja pena é, na verdade, a palavra escrita, em seu trabalho de nomeação e perpetuação do mundo. Eis como o “Poeta Adâmico” cogita tal origem:
No paraíso da linguagem,
O poeta, com desvelo,
Inclina-se para amar a letra.
Nesse momento, ele é Adão,
Ansiando companhia, à espera
De que a fêmea se submeta.
Cometidos os pecados,
Do outro lado, a pena:
“Ganharás o pão com trabalho,
Com o suor de tuas mãos,
E também, com teus pulmões,
Rins, fígado e coração”.
O homem se pega em desatino,
A sua vida será labor e sacrifício,
Mas estava escrito:
Havia de ser assim
Para que pudesse seguir nomeando
As coisas e povoando a terra
Com Abéis e Cains. (p.20)
Na segunda parte de Arcano Dezenove, é a condição feminina e a biografia literária que assumem o primeiro plano. A tonalidade mística, que já se manifestara em “Nossa Senhora dos Raios Multicoloridos”, da primeira seção, reaparece aqui em “Saturnais: mito de origem”, e depois retornará abertamente em “Gente da Era da Luz”, poemas em que o Sol é reverenciado, como cabe ao Arcano que nomeia o livro e que, aliás, já havia transmutado a Poetisa no seu “cálice”, tornando-a depositária de todas as coisas diante de “um sol de sétima grandeza” (“Arcano Dezenove”). Tais poemas tendem a explicitar, assim, o ponto-de-vista do qual emana a crítica (a dita Consciência concernente ao referido Arcano) aos destemperos da atualidade, à destruição do planeta, que peças como “Guernica Hoje”, “Tara moderna”, “Humanóide”, “Eu Canto a Pátria-Planeta”, “Terra Santa”, etc, exercem.
É deste naipe a bandeira ecológica da Poetisa, batalha socioambiental que ganha fortes raízes do misticismo oriental, que transparecerão, em seguida, em poemas como “Cristo Cósmico”, “Terra Santa”, “Prece”, “Terra”, “Semear”, etc. Veremos, em seguida, de que maneira esta temática se entrelaça com o feminino para adensar a imagem de mulher, a que a Lâmina faz referência.
A condição feminina, que se ampara em Florbela Espanca (em poemas diretamente afeitos à portuguesa ou que implicitamente passam por sua obra), é identificada como “Cicatriz” – nome da peça que inaugura essa “Memória“. Mas esse gênero também fica apontado na imagem daquela que se faz acompanhar do gato, animal que é perfeição, que é a letra chet (“Gato”), letra cujo desenho encerra a Casa cerrada (aberta somente por baixo), felino cuja falta, no momento da partida, torna os “poemas encharcados” (“Despedida”) e faz da Poetisa apenas a sua “humana de estimação” (“Gato Rei”).
Feiticeira, essa mulher é também telúrica, é vegetal (“Orgânica”), é natureza: pedra, água, planta, paz, solidariedade, novo tempo – lugar onde o saber, ao contrário do Éden, jamais será proibido (“Não Materialidade”). Por tudo isso, a poesia de Renata se apresenta como uma das maneiras de resgatar aquelas mulheres que foram silenciadas pelo tempo (é o que nos assegura o poema “Brutal Singeleza”, de “Quintessência”), procedendo, assim, a uma espécie de justiça poética. De maneira que também as prostitutas têm aqui voz (“Há Vagas”). Em “Humanidade Nata” (de “Onde os tempos se encontram”, a quarta parte do livro), o buraco aberto no tempo e no espaço, pela flauta que soa, permite que a Poetisa viaje nas asas do vento, numa espécie de transmigração, e se torne muitos, “Ulisses nos braços de Circe”,
Eva cantando triste
(desejosa) pela fruta de que tanto gosta.
Ah! Se eu pudesse beber do Letes
e ser inaugural como a alvorada,
ser Divina,
e não essa fêmea bruta,
mulher em construção,
alterada
e mesquinha
trazendo a humanidade nata. (p.77)
O desejo de conter em si essa “humanidade”, ato simbólico do Arcano 19, lhe dá a sensação e a certeza de que “somos flechas,/mirando o infinito.” (p.78). Mas, para tal, será preciso “libertar a borboleta aprisionada”, buscar a luz que ainda não se conheceu – muito embora tais anseios não sejam senão sonhos (“Efeito Borboleta”).
De resto, a mulher é ao mesmo tempo aquela que, morta, retorna ao lugar de onde veio (“Post Mortem I”), que prefere o inferno à sujeição, e que não abdica da irreverência: a Poetisa importa-se apenas com o risco de não arriscar (“Poema Inacabado”). Fala-se então daquela cujos pés e mãos constroem o seu próprio buraco (“Versos de Orgulho e Solidão”), irreverência e marotice ainda ilustradas pela imagem da não-convencional, daquela que confessa abertamente o quanto aprecia fazer “uma cena” (Post mortem II)...
A sublinhada erótica, já entrevista na Figura da Lâmina da capa deste livro de poemas, está em tudo e mais acintosamente em “A Fúria de Eros” e em “Antes do Éden”, respectivamente de “Quintessência” e de “Onde os tempos se encontram”, terceira e quarta partes da obra. Em “Carnaval” (de “Quintessência”), o corpo fica autorizado e a mulher se entrega à orgia, sendo quem não é; e a carne é santa e “vibra e goza até o pranto”. O Carnaval se revela, então, uma forma coletiva de existir. Por fim, é na derradeira secção, em “Rituais”, que a Maga, a Feiticeira e a Poetisa se mostram contraditoriamente una e plural. É ali também que a defensora do planeta, a erótica e a mística se consubstanciam num “Transluzir” – numa “aquarela”:
O que fui, sou e serei
Aquarela! (p. 61)
É nos rituais que as mensagens poéticas se tornam mais palpáveis – e mais úteis! – e é neles que, por meio do preceito, são transferidas aos leitores. As infusões, os encantamentos, os patuás, os filtros para o amor e para a liberdade universal, salvaguardando sempre o respeito à natureza (sequer a erva daninha pode ser arrancada; a poesia é vegetal), misturam curiosidades, em torno de plantas, com receitas certeiras para curar dores, acordar espíritos, lançar bênçãos e... “olhares de secar pimenteira” (“Desejos de Feiticeira”). Eis onde a vegetação do Arcano 18 encontra a sua síntese e desemboca na peleja ecológica. “É preciso coragem para abraçar/o inesperado”, para pluralizar - é o que nos ensina, por exemplo, a “Cerimônia do Chá”. Dúbia, hesitante entre a treva e a luz, entre o Arcano 18 e o 19, entre a “afasia” e o “estro”, entre espalhar imprecações ou bênçãos, a Poetisa descobre – e nos ensina! - que há “uma fissura” por onde o tempo espia. Afinal, a “alma”, essa dádiva de Luz do Arcano 19, só na arte se encontra (“Entre a Luz e a Escuridão”)!
Notas:
1 A propósito, remeto o leitor a dois textos meus que apreciam essa questão: “Anotações de uma bibliógrafa: Baudelaire e o esoterismo” (Remate de Males. Campinas: Unicamp/IEL, 1984), e “Surrealismo e esoterismo: a alquimia da poesia”. (O Surrealismo (org. Jacob Guinsburg e Sheila Leirner). São Paulo: Perspectiva, 2008).
2 Não esquecer que Julia Kristeva consagra um capítulo a Nerval em sua obra Sol negro – depressão e melancolia (Rio de Janeiro: Rocco, 1989, trad. Carlota Gomes), título que, aliás, toma emprestado ao poema em questão.
3 Claudio Willer refere esta retomada esotérico-literária da parte de Breton, num texto publicado no número 59 de Agulha. Revista de Cultura, de setembro/outubro de 2007, intitulado “André Breton, Nadja e Gérard de Nerval: estranhas relações”. A propósito, leia-se também sua elucidativa e extraordinária obra Um obscuro encanto. Gnose, gnosticismo e poesia moderna (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010)
4 BOMFIM, Renata - Arcano Dezenove .Vitória: Flor&Cultura Editora, 2011, 100 páginas.
5 Não esquecer que o modelo que compõe a referida Lâmina congrega, numa só, a consulente e a Figura do Arcano, ou seja: aquela que consulta e a que é consultada que, por fim, são a mesma, visto que é a imagem da poetisa a que a capa ostenta.
Maria Lúcia Dal Farra é poeta, critica literária,
e professora de Literatura da UFSE.
Autora da obra o narrador ensimesmado.
01/09/2011
Nota triste: Falecimento da acadêmica capixaba Yvonne Amorim
Amigos, é com pesar que informamos o falecimento da acadêmica Yvonne Pedrinha de Carvalho Amorim, nossa confreira na Academia Feminina Espírito Santense de Letras/ AFESL, ocupante da cadeira de nº 6 da . Yvonne Amorim faleceu no dia 31/08/ 2011 no Rio de Janeiro. A escritora nasceu no município de Santa Leopoldina, no Estado do Espírito Santo em 04/06/1918 e foi a primeira mulher, no Brasil, a exercer o cargo de Delegado Regional de Serviço Público e Federal (ES e BA) e primeira mulher com registro de jornalista profissional no Espírito Santo.
Yvone Amorim atuou nos jornais: A Gazeta, A Tribuna, Folha do Povo e na revista Vida Capixaba, membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, onde ocupou a cadeira n. 06, cuja patrona é Haydée Nicolussi. Ela foi membro da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, seção ES, e do Instituto Histórico e Geográfico do ES com vários trabalhos publicados na revista da entidade. Fonte: site da AFESL
Deixamos aqui o nosso carinho aos familiares e pedimos a DEus que os conforte nessa hora, e a nossa homenagem a Yvone Amorim que deixou seu nome nas letras capixabas de uma forma linda, com dignidade e amor!
POEMA PARA A NOITE
No degrau da solidão,
contemplei a ternura da noite!
Ventos desertos tocaram meu rosto
deixando a angústia de coisas mortas e irremovíveis...
E, no meu silêncio de azuis distantes,
sentio desencanto de saudades antigas
que, em punhados, arremessei aos ventos!
Contemplei a noite e falei-lhe docemente
de rosas banhadas de orvalho, de risos de crianças,
de aves nos ninhos e de flores pendidas nas estradas.
Falei-lhe de tanta coisa bela que em tudo
lembrava a mais pura essência do amor.
Depois, num desafio muito mais humano que vulgar,
falei-lhe de meus sonhos,
de minhas tristezas e de minha tão grande solidão!
E então, senti o abraço da noite,
como se nesse abraço pudesse abraçar
a humanidade inteira,
num estremecimento de vida e amor!
Deixei-me ficar no degrau da solidão.
E contemplei mais uma vez a ternura da noite.
O mundo sorria para mim.
(poema de Yvonne Pedrinha de Carvalho Amorim)
31/08/2011
29/08/2011
Caderno Pensar: Florbela Espanca mais que a poetisa da Dor e Saudades (por Renata Bomfim)
Open publication - Free publishing
(para fechar o Caderno basta clicar no esc do computador)
06/08/2011
Reciclagem Zen no Mosteiro do Morro da Vargem
Amigos, este artigo (Reciclagem Zen no Mosteiro do Morro da Vargem) foi publicada na Revista do Instituto de Estudos Ibéricos e Iberoamericanos da Universidade de Varsóvia (Polônia), ano 8, numero 22, Junho 2011, pp. 21-22.
As montanhas capixabas[1] abrigam o primeiro Mosteiro Zen Budista da América Latina, o Mosteiro Zen Morro da Vargem[2] (MZMV), em japonês, Hakuun Zan Zenkoji (Monte da nuvem Branca/ Templo da Luz do Zen). Quando o mestre japonês Ryohan Shingu, fundou o MZMV em 1974, o movimento Zen começava a ganhar força no Brasil, embora suas práticas fossem pouco conhecidas. Na década de 70 as áreas do MZMV e do seu entorno encontravam-se devastadas em função do plantio desordenado de café e da criação de gado. Os monges iniciaram, então, um trabalho pioneiro e intuitivo de recuperação da Mata Atlântica que, anos depois, seria reconhecido nacional e internacionalmente por sua extemporaneidade. O MZMV foi considerado, em 1992, Pólo Permanente de Educação Ambiental, recebeu o prêmio Muriqui, concedido pela UNESCO, e foi citado pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil (MMA) como sendo “uma das cem experiências de sucesso em sustentabilidade no Brasil”. Foram plantadas 20 mil mudas de Jacarandá, Jequitibás, Vinháticos e outras espécies de árvores nativas de grande porte. O MZMV compreende hoje 175 hectares de Mata Atlântica recuperada, sendo 10 hectares utilizados com os templos, jardins, paisagismo zen e agricultura orgânica para subsistência.
[1] O termo capixaba vem da língua indígena Tupi e quer dizer terra limpa para a plantação, roça. É considerada capixaba toda a pessoa nascida no Estado do Espírito Santo, Brasil.
Além dos retiros religiosos, o MZMV realiza variados programas de educação ambiental voltados para a comunidade e para instituições públicas e privadas, um deles chama-se COMPAZ: a ética policial e a vivencia socioambiental, programa que teve inicio em 1996 e busca sensibilizar os policiais para a questão ambiental, proporcionando contato com a filosofia e a disciplina oriental. Outro programa é o Zenzinho que atende a crianças e adolescentes das escolas públicas do Espírito Santo, este programa teve início em 1996 e desde a sua criação já atendeu cerca de 12.600 participantes. Minha história com esta instituição começou a ser escrita no inicio de 2008, quando fui convidada para participar, como arteterapeuta, do COMPAZ e, posteriormente, para assessorar o programa Zenzinho. Sempre me instigou ver como um local que recebe cerca de 30 mil visitações por ano se conservasse limpo, organizado e com as suas dependências preservadas. Acredito que esta instituição é uma usina de reciclagem de (pré)conceitos e de hábitos insustentáveis, pois, as pessoas que ali chegam, se deixam envolver pela filosofia zen e experimentam um contato mais próximo com a natureza, (re)conectando-se à mesma e a si mesmos. Há a sensibilização do olhar e os indivíduos passam a ver que a vida é uma teia imbricada, complexa, e que degradar o Planeta, pressupõe degradarem a si mesmos, vêem a emergência de modificarem seus hábitos, reverem seus conceitos e até, de simplificarem um pouco o estilo de vida, ganhando mais qualidade de vida. As pessoas reavaliam o significado de Ser e de estar no mundo, adotando práticas simples para preservar o meio ambiente, como a diminuição do consumo, a coleta seletiva e a redução da produção de lixo.
Somos uma sociedade de consumidores, afirmou o pensador Zigmunt Bauman, no nosso tempo o “penso, logo existo”, de Descartes, foi recodificado, e agora, impera o “compro, logo sou”. As pessoas, enredadas nessa trama nefasta, não percebem se tornarem elas próprias, também, objetos de consumo e, portanto, sujeitas a sua lei, como por exemplo, a lei do descarte. O programa de educação ambiental realizado pelo MZMV apóia-se em pressupostos básicos da Filosofia Zen, como por exemplo, o amor à vida, não apenas a vida humana, mas das plantas, dos animais, reconhecendo a sacralidade de cada elemento. O Zen repudia o desperdício, dessa forma, na hora das refeições, cada pessoa coloca no prato apenas a quantidade de comida que vai comer, cada qual arruma a sua cama, lava o seu prato e ajuda a manter limpos e arrumados os ambientes, encontra satisfação naquilo que já possui e procura desenvolver o desapego as coisas matérias, alcançando maior autonomia de escolha e descolonizando o seu desejo. Segundo o Abade Daiju, responsável pelo MZMV, não é preciso ser ecologista por formação para ter atitudes ecologicamente corretas, e o conceito de sustentabilidade é simples: “deixar o planeta preparado para o Outro”, é “lavar o próprio prato”. A disciplina no MZMV é horizontalizada e as responsabilidades e os espaços são compartilhados.
Desde a sua fundação o MZMV foi construindo uma pedagogia própria de redução de lixo a parti da simplicidade, não apenas reduzindo os resíduos sólidos, que são separados e reciclados, mas também, possibilitando ás pessoas, vivências que mostram que o consumo desenfreado gera muito lixo, mas não gera felicidade. As pessoas passam então à reciclagem de velhos hábitos (insustentáveis), e de (pré)conceitos. O Monge Daijú, ressalta ainda que: “o Mosteiro tem o seu trabalho centrado no crescimento do ser humano”, o que ratifica a nossa crença na possibilidade de mudança de hábitos deste: “Nós não somos ambientalistas, assim, por origem, não somos biólogos, nós criamos os trabalhos pelo exemplo, só com o coração. Nós acreditamos nesse coração bom do ser humano, que interage e olha o próximo como parte dele mesmo, este é o cerne do nosso projeto pedagógico. O verde e a fauna é o cenário, nós buscamos trabalhar o ator principal, não que o homem seja melhor, mas é ele quem dirige as ações para o bem ou para o mal, é ele que interfere”.
As ações educacionais desenvolvidas nos programas do MZMV privilegiam um olhar para o mundo a partir de uma perspectiva planetária que pressupõe a inclusão social, o respeito pela diversidade cultural, e o amor e cuidado para com o Planeta. Há o investimento no intercâmbio de conhecimentos, cuja transmissão, está para além da esfera reduzida da racionalidade e da ciência moderna, que baniu variadas formas de saber do mundo elegendo-se como a única válida e verdadeira. Esse reconhecimento é um antídoto ao individualismo que ilhou as pessoas e inviabilizou o diálogo, a troca, dificultando que valores como a solidariedade e a compaixão se afirmassem ganhando a vida cotidiana.
Ao buscarmos no dicionário alguns significados para o termo “lixo” encontramos: “qualquer objeto sem valor ou utilidade; aquilo que se joga fora; coisa ordinária, malfeita, feia”. Observamos que o termo se estende dos objetos aos indivíduos: “pessoa sem qualquer dote moral, físico ou intelectual; a camada mais baixa da sociedade; escória, ralé.” Reconhecemos que o lixo é ambíguo e polifônico, podendo se tornar até um “Lixo Extraordinário”, quando tocado pela sensibilidade do artista, como mostra a vivência registrada pelo artista plástico Vik Muniz, em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. O lixo é polifônico porque dele emanam vozes que denunciam a incapacidade dos indivíduos de gerenciarem seus próprios detritos, a sua incapacidade de reconhecer que os recursos da Terra são limitados, e também, que ele próprio possui limites. O lixo é ambíguo, pois o que para alguns não serve mais, devendo ser descartado, é para muitas famílias que vivem à margem, na pobreza, o sustento. Contraditoriamente o “lixo” pode nos apontar, por meio da criatividade, possibilidades e soluções para um mundo sustentável, instigando e convocando a sociedade para o engajamento, como mostra o número crescente de pessoas que fazem a coleta seletiva, bem como o de cooperativas de catadores que, organizados, selecionam e encaminham este “lixo”, o transformado em “matéria prima” para as indústrias reutilizarem.
Zigmunt Bauman aponta para o fato de que vivemos em uma sociedade cujos laços sociais tendem a se tornarem “frouxos”, onde os cidadãos, (des)ligados, precisam conectar-se, mas, desconfiados, buscam evitar encargos e tensões, o que gera uma “furiosa individualização” e “(des)engajamento” (BAUMAN, 2004). É nesse cenário que a ética se apresenta como uma expressão do imperativo de religação, como preconizou Edgar Morin: “Todo ato ético é, na realidade, um ato de religação, com o outro, com os seus, com a comunidade, com a humanidade e, em última instância, inserção na religação com o cosmo. O lixo não é o principal problema na contemporaneidade, mas, os processo que levaram à produção do lixo, esse sim, o é. O nosso modo de vida caminha na contramão da própria vida, é preciso reciclar “lixos” como a intolerância, o ódio, a avareza, a violência, para que, transformados, se tornem matérias primas: solidariedade, atenção, respeito, compartilhamento, tolerância, respeito à diversidade, e que, a partir destes novos insumos, sejamos capazes de construir um mundo socialmente mais justo. O lixo em determinado contexto pode ter se tornado um pesadelo, mas, a partir dele, também é possível sonhar e dar forma a novas realidades.
Renata Bomfim
Mestre e Doutoranda em Letras pela UFES.
Educadora Socioambiental no Mosteiro Zen Morro da Vargem
02/08/2011
Os mestres espanhóis estão na Ilha...
Pablo Picasso, Salvador Dalí, Francisco de Goya e Joan Miró estão em Vitória, no Palácio Anchieta, esperando por você! No total, serão expostos 101 desenhos que fazem parte do acervo de Collezioni D'arte Camú, do Consorzio Camu, da Itália. Dessas, 13 são obras de Picasso em Le Cocu Magnifique e 27 em Tauromaquia; 20 litogravuras e um frontispício da coleção Maravilhas com Variações, com a técnica da litografia de Joan Miró; 18 obras e um frontispicio de Goya, da complexa Disparates; e 21 gravuras a ponta-seca de Faust, do surrealista Salvador Dalí.
Saiba um pouco mais sobre esta exposição assistindo a entrevista concedia ao programa Espaço Sustentável pelo amigo Erlon Pascoal, que é Subsecretário de Cultura do Governo do Estado do ES. Com certeza você vai curtir!
Visitações de terça a sexta-feira de 10 às 18 horas; sábado e domingo: de 12 às 18 horasSaiba um pouco mais sobre esta exposição assistindo a entrevista concedia ao programa Espaço Sustentável pelo amigo Erlon Pascoal, que é Subsecretário de Cultura do Governo do Estado do ES. Com certeza você vai curtir!
Do dia 02 de agosto a 02 de outubro de 2011
Entrada Gratuita
01/08/2011
Economize água! Em outubro seremos 7 bilhões...
Em outubro de 2011 seremos 7 bilhões.A primeira vez que o planeta registrou 1 bilhão de pessoas foi em torno de 1800. Para chegar a 2 bilhões de pessoas, o mundo precisou de mais 125 anos. Mas, apenas nos últimos 50 anos, a população mundial passou de 3 bilhões para 7 bilhões.
Um bom motivo para economizarmos água!
informações: jornal O Estado de S. Paulo.
27/07/2011
25/07/2011
XIX Congresso Brasileiro de professores de Espanhol/ II Seminário da COPESBRA 2011
compartilho com vocês por meio dessas imagens um pouco do que aconteceu nesse congresso onde se reuniram importantes pesquisadores da literatura hispanoamericana e pessoas que trabalham na difusão do idioma espanhol no Brasil e na América latina. O encontro foi dinâmico e possibilitou variadas interlocuções. Destaco a presença das pesquisadoras Ester Abreu Vieira de Oliveira/ UFES (minha orientadora no doutorado), Lívia Reis/ UFF, Maria Augusta da Costa Vieira/ USP, Márcia Paquett/ UFBA, Leonor Orozco/ Escuela Nacional de Antropologia e Historia do México, Maria Zulma M. Kulikowski/ USP, Arturo Arias/ University of Texas- EUA, Mário González/ USP (que muito me alegrou com sua presença na minha explanação sobre Rubén Darío), Mempo Giardinelli/ jornalista argentino, entre outros. Eu apresentei a comunicação "Rubén Darío: poesia e resistência". Destaco também as apresentações culturais e quantidade/qualidade dos livreiros presentes. Meu carinho aos amigos capixabas que participaram do congresso, meu agradecimento a professora Ester pelo carinho e cuidado para comigo, a Mirtes, a Carmelita, espero que repitamos a dose daqui a dois anos lá em Recife quando acontecer o próximo congresso.
abraçosRenata Bomfim
Apresentação Cultural
06/07/2011
sonho da poeta
Sonhei escrever um poema
impossível, marcante e forte
cujas letras estivessem prenhes de espírito
a musicalidade fizesse vibrar a carne e, o metro,
reproduzisse a perfeição do infinito.
Sonhei que esse canto seria maior que eu
e as mesquinharias que bem conhecemos
Maior que as preocupações do dia a dia
Um poema tremendo, inédito e extraordinário.
Mas como cantar a beleza bruta
que se revela apenas em lampejos?
Como descrever esse isso
com os olhos recobertos por escamas?
A formiga podou a roseira
dias depois, vi surgirem brotos e folhas
vi rosas e mais rosas desabrocharem
Me calei!
A natureza escreveu o meu poema:
traçou as linhas da roseira
metrificou o caminho da formiga
e às rosas perfumadas
foram embaladas pelo ritmo do vento.
impossível, marcante e forte
cujas letras estivessem prenhes de espírito
a musicalidade fizesse vibrar a carne e, o metro,
reproduzisse a perfeição do infinito.
Sonhei que esse canto seria maior que eu
e as mesquinharias que bem conhecemos
Maior que as preocupações do dia a dia
Um poema tremendo, inédito e extraordinário.
Mas como cantar a beleza bruta
que se revela apenas em lampejos?
Como descrever esse isso
com os olhos recobertos por escamas?
A formiga podou a roseira
dias depois, vi surgirem brotos e folhas
vi rosas e mais rosas desabrocharem
Me calei!
A natureza escreveu o meu poema:
traçou as linhas da roseira
metrificou o caminho da formiga
e às rosas perfumadas
foram embaladas pelo ritmo do vento.
05/07/2011
adote um cão abandonado...
Amigos, que tristeza eu senti hoje quando li uma reportagem que saiu em um jornal de grande circulação da minha cidade, falando do descontentamento das pessoas com o grande número de cachorros abandonados pelas ruas. O CCZ de Vitória (ES), como quem não quer nada, aponta que a superpopulação de cães abandonados deve à proibição do sacrifcio dos mesmos por parte de uma ação do Ministério Público de 2009.
Pelo amor de Deus, quando iremos falar da falta de responsabilidade das pessoas que abandonam estes animais a própria sorte? E da falta de punição desses irresponsáveis? Quando iremos falar da falta de responsabilidade do Estado que não recolhe estes animais para castração e encaminhamento para a adoção? Desde quando o sacrificio é solução para alguma coisa?
Pelo amor de Deus, quando iremos falar da falta de responsabilidade das pessoas que abandonam estes animais a própria sorte? E da falta de punição desses irresponsáveis? Quando iremos falar da falta de responsabilidade do Estado que não recolhe estes animais para castração e encaminhamento para a adoção? Desde quando o sacrificio é solução para alguma coisa?
Eu acompanho de perto a luta das instituições (não governamentais) capixabas de defesa dos animais, os cuidadores não tem nenhum poio que faça realmente a diferença, apenas esmolas... É muito triste observar que o meu Estado ainda não despertou para o paradigma emergente que aponta para a necessidade de uma relação pacifica para com os seres não humanos... Enquanto isso os ignorantes ficam reclamando do cocô na calçada e não enxergam que cidadania rima menos com reclamação e mais com participação.
Ai, ai, me poupem...
Ai, ai, me poupem...
03/07/2011
O drama de Freud: Caderno Pensar (por Ítalo Campos)
OLá amigos, confiram a entrevista dada pelo psicanalísta Ítalo Campos ao jornalista José Roberto Santos Neves (Caderno de Cultura Pensar/ A Gazeta) O drama de Freud.
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