08/03/2010

Verinha nos deixou



Verinha nos deixou hoje, estive com ela todo o tempo, segurei a sua patinha e agradeci por tudo o que representou na minha vida e na vida do Luiz. Pedi que ela esperasse só um pouquinho mais antes de partir, pedido que ela atendeu e, assim que o Luiz chegou do trabalho e se despediu, ela expirou nos meus braços. Ficou uma saudade, a casa está esvaziada, a caixa de supermercado que ela tanto gostava está onde sempre esteve e não sei quando irá sair. Mas estas são as perdas significativas que vamos contabilizando ao longo da vida, aí se percebe que perder dinheiro não dói, e que nenhuma aquisição material será capaz de compensar algo assim. Assim que ela se foi trouxemos seu corpo para casa e mostramos aos outros gatinhos, para eles saberem o porquê do seu desaparecimento do nosso convivio, eles observaram, cheiraram o corpo e sairam, cada um para um cantinho, para fazer luto à sua maneira. Verinha está descansando na Reserva natural Reluz, num bosque de pinheiros que a partir de hoje levará seu nome. Fica aqui este relatinho, mais como uma forma pós-moderna de elaboração dessa tristeza, dividindo ela com vocês, de alguma forma fica mais leve.
Agradeço muito a Dª Ana Cristina, da clinica Mascote, tudo o que fez por Verinha e por nós, pai e mãe desesperados. OBRIGADA!

metapoesia

Serão meus os versos que escrevo,
ou apenas palavras- frags que conjugo e organizo?
Serão, estas palavras-setas, partes de mim que desconheço?
A poesia que gesto é embate entre desejos, é utopia,
é também, filosofia básica: de onde vim, para onde vou?
Era eu ou a era a letra a esgaçar-se noutros tempos?
Será que a poesia do século XVI também era minha?
Sonhos e contos da carochinha soam para mim tão verdadeiros
vejo os rostos, sinto os cheiros, dialogo com reis, rainhas,
observo os elementais dando o tom da natureza.
São os amigos secretos dessa contadora de histórias
que recria o próprio mundo, esse cinema mudo em preto e branco.
Eu amazona, lanço imagens-palavras- setas
para quem quiser adivinhar, buscando atingir sem pedir licença.
Será antipoesia desejar gestar sentidos desconexos?
Quem se habilita a desvendar o mistério de ser outro?
Quem se habilita a ser eu noutro corpo?
A ser paralelo, a unir versos e criar super novas?
A arriscar a vida rabiscando folhas em branco,
garatujando e re-criando o verbo?
metapoesia.

07/03/2010

O espírito de GENTILEZA renovado

Olá amigos, possivelmente vocês tenham ouvido falar de José Datrino, mais conhecido como o profeta Gentileza, senhor que se destacava na multidão não apenas por sua túnica branca e por seus cabelos e barba longos, tão alvas quanto a pureza de sua alma, mas por pregar a gentileza, a solidariedade, o respeito.
Essa figura espetacular que vou apresentar a vocês é seu Carlos, um andarilho que esta passando uma temporada hospedado nas areias da Praia de Camburi. Foi o Luiz, acostumado a conversar com pessoas que geralmente são invisiveis para a maioria, quem conheceu seu Carlos, perguntou de onde ele era e se estava precisando de alguma coisa, seu Carlos respondeu que não estava precisando de nada, que tinha tudo, ele disse que era Minhas Gerais.
Passamos a observar seu Carlos, intrigado com este ser humano que, aparentemente, não tem nada, mas transmite um ar de completude e de satisfação, e percebemos que ele percorre toda a cidade alimentando os pássaros e cachorros abandonados, com alimentos que compra com o dinheiro das latinhas que cata e vende na cidade. O nosso sr. Gentileza não pede dinheiro a ninguém e não espera, como nós, enredados pós-modernos, mais dinheiro, um celular da hora, roupas transadas, enfim, ele espera, apenas, viver, poder estar em Camburi  ou em outra parte desse mundão, e alimentar seus amigos e companheiros, os animais.

05/03/2010

Imagens do caleidoscópio de Jorge Luiz Borges em Ficções


autora: Renata Bomfim
(resumo do artigo)

Jorge Luis Borges (1899- 1986) inovou a narrativa contemporânea pela singularidade de sua escrita ficcional, que influenciou significativamente o movimento vanguardista argentino, como também a escritores, cineastas e críticos de todo mundo. Sua obra está inscrita na primeira etapa do século XX, tempo de problematização e negação de todos os conceitos. Bella Josef, estudiosa que conheceu Borges pessoalmente, no Livro Jorge Luiz Borges, nos esclarece que: “A formulação estética de Borges desconstrói o modernismo: transforma a realidade e fragmenta o tempo relativisando a forma em sua crítica do sujeito. Com isso, anuncia a pós-modernidade” (JOSEF, 1996).
Borges é instigante, através da escrita o autor cria outros mundos regidos por leis próprias, abalando as realidades objetivas, concretas e fixas, presas às leis do tempo, para tal, ele utiliza elementos variados como o labirinto, vastos espaços que se desdobram infinitamente, caminhos sem fim, rodas e labirintos lineares e cíclicos.
O livro Ficções (editado em 1944) brinda o leitor com contos que desfazem os limites entre o real e o fantástico e, entre tempo e realidade, fazendo emergir um mundo de multiplicidade de sentidos que possibilita ao leitor inúmeras interpretações. Borges afirmou certa vez:“durante toda a minha vida cheguei às coisas depois de havê-las transitado nos livros” (JOSEF, 1996), para ele o livro é uma metáfora do universo.
O Conto intitulado A Biblioteca de Babel, por exemplo, apresenta-nos uma biblioteca labiríntica infinita de galerias que se repetem e a metáfora do labirinto redesenha a trajetória do homem. A imprevisibilidade expressa no conto mostra o homem preso ao labirinto do tempo, peregrino, labirinto que é, também, uma metáfora da tessitura textual, que é inesgotável:
Afirmo que a biblioteca é interminável. Os idealistas argúem que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Alegam que é inconcebível uma sala triangular ou pentagonal. (BORGES, 2001)
[...] A Biblioteca existe ab aeterno. [...] Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um viajante atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que reiterada seria uma ordem: a Ordem). (BORGES, 2001)
Nesse mesmo conto percebemos o ser humano buscando respostas para problemas que não têm solução, para questões impossíveis de se responder:“[...] também se esperou, então, o esclarecimento dos mistérios básicos da humanidade: a origem da biblioteca e do tempo”. A narrativa de Tlön , Uqbar, Orbis e Tertius apresenta a descoberta, ao acaso, de um mundo paralelo e desconhecido, construído por meio da linguagem, chamado Uqbar, nascido da conjunção de um espelho e de uma enciclopédia. Este mundo é a imagem inversa do mundo real, é uma imagem refletida em um espelho imaginário, onde as coisas se projetam e duplicam. Acerca desse planeta imaginário criado pelo conhecimento humano, o texto nos diz:
[...] quem são os inventores de Tlön? O plural é inevitável, pois a hipótese de um único inventor [...] fora descartada unanimemente. [...] Esse plano é tão vasto que a contribuição de cada escritor é infinitesimal. [...] Conjectura-se que este breve new Word é obra de uma sociedade secreta de astrônomos, de biólogos, de engenheiros, de metafísicos, de poetas, de químicos, de algebristas, de moralistas, de pintores, de geômatras, dirigidos por um absoluto homem de gênio. (BORGES, 2001)
Em Tlön , Uqbar, Orbis e Tertius, Borges cria uma nova realidade que nega o tempo e nos mostra a visão do autor acerca da angústia do homem que pretendem encontrar uma explicação racional para o universo, e a realidade vê-se ameaçada de ser tragada pela fantasia: “O mundo será Tlön”.
Outro conto intrigante intitula-se As ruínas circulares, este conto aborda temas variados e recorrentes na obra borgeana, dentre os quais, a circularidade captada nos níveis do tempo e do espaço. O conto narra a história de um homem velho, um “mago”, que se refugia nas ruínas circulares de um templo que foi consumido pelo fogo. Seu intento era criar outro homem: “O propósito que o guiava não era impossível, ainda que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com integridade minuciosa e impô-lo à realidade”. Este homem percebeu que moldar a matéria de que é feita o sonho é tarefa árdua, ele reviu o seu fracasso e buscou outra tática para realizar seu intento, “abandonou toda premeditação de sonhar” e, para retornar a tarefa, executa um ritual de purificação, [...] e quase de imediato sonhou com um coração que pulsava, [...] cada noite percebia-o com maior evidencia”.
A ambição de criar um homem tão perfeito que se impusesse à própria realidade, revela a busca de Borges por vencer o tempo e a sucessão a que estamos imersos, de alcançar a eternidade. Para o estudioso Pommer (1991), “a eternidade seria uma invenção humana capaz de dar sentido às nossas vidas fugazes, já que o tempo, é algo que nos escapa por completo à compreensão”.
Ao final do conto o mago descobre que também é ele a criação do um sonho de um outro. Bella Josef (1996), afirma que Borges recorre ao tempo cíclico em suas narrativas para justificar a permanência de um mesmo fato ou objeto em muitos lugares. Ele busca a intemporalidade do tempo, anulado em sua unicidade. [...] a simultaneidade ou repetição cíclica, que leva ao tema da criação e ao tema do labirinto. [...] A fantasia é mais real que a própria realidade e nela tudo se repete. [...] Se o tempo é cíclico deixa de existir o tempo cronológico.
O filho sonhado pelo mago vai gradualmente acostumando-se a realidade, mas não sabe que é um simulacro, um fantasma. O mago consegue realizar o intuito de sua vida, e numa espécie de êxtase entrega-se ao fogo para ser consumido. As ruínas circulares mistura planos: “Não ser homem, ser a projeção do sonho de outro homem, que humilhação incomparável, que vertigem. [mas o mago] com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele também era a aparência, que outro o estava sonhando. O mago ao descobrir-se também uma projeção, um simulacro sonhado por um terceiro, sente um alívio, pois há uma desconstrução da individualidade, o sujeito tendo sua individualidade diluída, torna-se parte de algo maior que ele, de um tempo fora do tempo, de um tempo mítico.
Nos conto A forma da espada, o protagonista dirá: “O que faz um homem é como se todos o fizessem”. Ao serem abolidos passado e futuro, resta ao homem o tempo presente. Santos (1996) nos diz que “a destruição do tempo, anula conseqüentemente o individuo e dá ao universo um caráter eterno”. Este conto mostra a busca do homem borgiano pela imortalidade, lutando incessantemente contra o tempo.
Enquanto a realidade for regida pelo tempo, e este for o limitador da realidade humana, não haverá nunca uma possibilidade do homem retirar a máscara e descobrir seu verdadeiro rosto. A possibilidade de encontrar-se só pode ser vislumbrada num mundo atemporal, em um mundo não limitado pelo tempo sucessivo e temporal. (SANTOS, 1996)
Já Cerqueira (2006), destaca que na obra de Borges o tempo é um eterno retorno, e por isso não se pode afirmar que este mundo é real, mas um simulacro, uma máscara. [...] por isso não podemos decifrá-lo. Sendo assim, o homem que o habita é também um simulacro, pois repete os mesmos atos mecanicamente há séculos. Por ser prisioneiro do tempo, o eu, que é Borges, só se pode experimentar no fluir deste, que devora toda a realidade. Fruto de uma imaginação privilegiada, o livro Ficções é uma aventura imaginativa que busca discutir a pretensão da linguagem em ser a expressão fiel da realidade. Nele Borges constrói um caleidoscópio, cujos espelhos, a cada momento nos surpreende com novas possibilidades de desdobramento de imagens.

Referências:

CERQUEIRA, Dorine. Joege Luis Borges e a narrativa fantástica. Disponível em: < www.hispanista.com.br>. Acesso em: 30 nov.2006.
JOSEF, Bella. Jorge Luis Borges. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S. A., 1996.
JOSEF, Bella. Uma estética da inteligência. In: Jornal do Brasil, 1999.
POMMER, Mauro Eduardo. O Tempo Mágico em Jorge Luiz Borges. Florianópolis: Editora da UFSC, 1991.
PINTO, Júlio Pimental. Uma memória do mundo: Ficcção, memória e história em Jorge Luis Borges. São Paulo: FAPESP, 1998. p. 167- 175.
SANTOS, Ana Cristina. Algumas reflexões sobre o infinito na obra borgiana. In: anuário brasileiro de estudos hispânicos, n. 6, 1996. p. 71 – 81.
SANTOS, Ana Cristina. O Tempo e a Morte em Borges: “As Ruínas Circulares”. In: América Hispânica. Ano V, n. 7. 1992.

04/03/2010

Hora do Planeta 2010

Esse ano a Hora do Planeta será no dia 27 e março, entre as 20h30 e 21h30. Em 2009, 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha promovidqa pela WWF.É isso aí, vamos desligar tudo minha gente e repensar nosso consumo.

GENTE, FOI MARAVILHOSOS FAZER PARTE DESTA CORRENTE TAMBÉM ESTE ANO!

02/03/2010

Verinha

 

Verinha

Verinha, querida, preciosa
Você ensaia a partida e eu
com o coração partido vejo
esvaziar um pouco o meu mundo.
É um conforto saber que
durante os doze anos que estivemos juntas
nossos espíritos, alados e selvagens,
estiveram em comunhão.
Sempre te amarei, filhotinha.
Tão pequena, uma jóia, e mesmo assim
me ensina com secular sabedoria.
Quem sabe em outra vida estivemos juntas
e eu fui a sua gata preferida?
Não importa a forma que temos,
gente, gato, pedra, flor, importa sim,
as nossas energias unidas, em harmonia.
Acredite gatinha, ainda vamos nos encontrar,
quem sabe na minha hora, você vai me esperar?
Lá, do outro lado do arco-iris...
onde vão morar criaturas como nós.
Nunca vou te esquecer, dançarina,
mas espero esquecer a tristeza desse dia
que chegou com nuvens pesadas e chuva fria.
Meus olhos estão encharcados,
meu coração, prenhe de saudades,
é dificil abrir mão do que mais amamos.
Preciso te liberar, dizer adeus,
só Deus sabe o quanto me custa,
o quanto é dificil!
Mas, por amor também deixamos ir,
Segue em paz minha flor e obrigada
por tudo, por sua existência, que deu cor a minha:
que os anjos te guiem na jornada,
que o céu felino te acolha com flores,
músicas portuguesas, lagos com peixes,
muitos arranhadores, arbustos baixos e
uma grande passarada.
com amor,
sua mamaezinha.

01/03/2010

8 de março

Mais um dia internacional da mulher se aproxima e continuamos sendo queimadas, enclausuradas, espancadas, cortadas, violentadas, mal remuneradas, discriminadas, enfim. Não há muito o que comemorar, cada conquista feminina tem peso de sangue e é feita às custas de muita abnegação. O sucesso profissional, esse  vem na garupa de jornadas duplas e  triplas e de muito desgaste! Mas a luta por respeito e por um lugar à sombra continua! Temos muito ainda pelo que lutar, bem como a responsabilidade de honrar o sacrificio de muitas mulheres que vieram antes de nós desbravando, ousando, acreditando e sonhando com uma sociedade mais igualitária. Salve as mulheres nesse dia que é todo seu!

28/02/2010

Nada

ccccccccccccccXXTristeza é nada
cccccccccccccXXXX é vazio
XXXXXcccccccccccccc ausência
XXXXXccccccccccccccXquerer voltar no tempo
XXx ccccccccccccccXXavançar no tempo
XXcccccccccccccccccxxxparar
XXccccccccccccccXOco
XccccccccccccccXBuraco
ccccccccccccccXEspaçamento
XccccccccccccccXLonge daqui
Xccccccccccccccccc Longe do agora
XXccccccccccccccXXsem lembranças
XXccccccccccccccXXXbranco total
XXccccccccccccccXXXXnem eu
XXXccccccccccccccXXXXnem você
XXXccccccccccccccXXXNão saber
XXXXccccccccccccccXNão querer
XXXccccccccccccccXNada não
XccccccccccccccXVárzea
ccccccccccccccXCharco
XccccccccccccccXLodo
XXccccccccccccccXChão
XXccccccccccccccXXAtoleiro
XXccccccccccccccXXXVão
XXccccccccccccccXXVácuo
XXccccccccccccccXDespovoamento total
XccccccccccccccXDeserto
ccccccccccccccSem fim.

bairenatabomfim

o poeta adâmico

No paraíso da linguagem,
o poeta zeloso se inclina
para amar a letra.
Nesse momento ele é Adão
no topo da hierarquia,
exigindo que Ela se submeta.

A letra mulher primeva,
dissimula
dribla a lei,
se agita.
Vê  homem, bicho, Deus,
quer comer tudo
quer conhecer tudo
provar de tudo muito
principalmente do fruto.

Cometidos todos os pecados,
Nua e ambigua
ouve do outro lado a pena:
"Ganharás o pão com o suor do teu corpo".

O homem, caído, se depara com o desconhecido,
A vida de agora é labor e sacrífício
Ela pari aos gritos
conhece a dor
Mas estava escrito, tinha que ser assim,
para puderem seguir  nomeando as coisas e
enchendo a terra de Abéis e Cains.

bairenatabomfim

A Academia Feminina Espírito-Santense de Letras convida...


A MULHER NO SÉCULO I:TEMPO E JESUS
Auditório do ICII da UFES- dia 09 de março- 16:00h
com Thelma Maria de Azevedo

25/02/2010

Eco-ninhos

Olá amigos da natureza, pessoas que gostam de ver os pássaros soltos, em liberdade, amigos queridissimos da RECEA (Rede de Educação Ambiental do ES) grupo do qual faço parte. Apresento a vocês o eco-ninho, feito de caixinha reciclada e casca de pinheiro. Eu vi esta idéia na net e achei bem legal, então pensei em recobrir as caixinhas com casca de pinheiro para dar um ar mais natural. Basta saber se os pássaros irão gostar e fazer morada nela, vou testar e conto pra vocês. Ouvi dizer que os pássaros voltam sempre ao mesmo ninhos para criar seus filhotes, será verdade?
Abraços
Renata


1- Recolher e lavar bem as caixinhas de suco e/ou de leite (depois deixe ao sol para secar bem);
2- Pedir a um gato para inspecionar a qualidade do material, afinal, ninguém entende melhor de passarinhos;
3- Começar a montar o mosaico com as cascas, utilizando cola quente;
4- Recobrir toda a caixa;
5- A caixa pode ser colocada em pé ou deitada, na varanda das casas ou em árvores para que os emplumadinhos façam os ninhos.

21/02/2010

NO PRELO...

Queridos, o meu livro (MINA) está no prelo, logo estarei divulgando o dia do lançamento e conto com a presença de vocês!
Este trabalho tornou-se possivel graças a Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal da Serra (Lei Chico Prego), a Arcelor Mital e a Magnesita.

Deixo aqui meu agradecimento!
Abraços
Renata

20/02/2010

AMAES: Associação de Amigos dos Animais do ES na luta pela ajuda humanitária aos animais do Haití



Amigos, a AMAES surpreende com mais este trabalho de auxilio aos grupos que atendem aos animais que sofreram com os terremostos no Haiti. A AMAES informa que foi criada uma coalisão internacional de ajuda aos animais do Haiti (ARCH), liderada pela WSPA-Sociedade Mundial de Proteção Animal, à qual é afiliada e o FAW (Fundo Internacional de Bem-Estar Animal) cuja sede é nos Estados Unidos. Mais de 13 organizações mundiais de proteção animal participam da coalisão, entre as quais: WSPA, IFAW, American Humane Association, Best Friends Animal Society, Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals(UK), In Defense of Animals, American Veterinary, Antigua and Barbuda Humane Society, American Society for The Prevention of Cruelty to Animals, United Animal Nations, Kinship Circle, One Voice, Swiss Animal Protection e Petfinder.com Foundation.
Desde a chegada da coalisão,02 semanas após a catástrofe, milhares de animais já foram atendidos , principalmente na capital Porto Príncipe. Apoiada por uma Gigante e moderna Clínica Veterinária Móvel, adquirida na Inglaterra, com capacidade para até 10 intervenções cirúrgicas simultâneas, centenas de voluntários vindos principalmente de países da América Central e Caribe oferecem os primeiros socorros e atendimentos aos animais, além de medicamentos, alimentação e vacinas. São veterinários, bombeiros, biólogos, zootecnistas,tradutores,sanitaristas,etc..que formam o batalhão da ajuda humanitária.
Sobre os voluntários internacionais, muitos brasileiros se alistaram para viajarem ao Haiti, inclusive vários capixabas que atenderam à solicitação da AMAES de formação de um cadastro de segurança. O Brasil, entretanto, não teve a oportunidade de enviar voluntários visto a preferência ter sido dada para as pessoas residentes em países da América Central e Caribe, que por ser uma região com constância de desastres naturais, as experiências acumuladas nessa área são grandes.
Como se pode ver, felizmente, existe uma comunidade internacional de humanos que acredita que os animais merecem respeito, solidariedade e têm direito à vida e ao Bem-Estar. Essas mesmas pessoas, das quais a AMAES parte, lutam por um mundo onde o bem-estar dos animais importe e que os maus-tratos contra os mesmos não mais existam.
Algumas fotos de campo mostram o dia-dia de  trabalho de voluntários. Cenas como essas, nos levam a acreditar que uma sociedade mais justa para com os animais ainda é possível, e que um dia, eles poderão desfrutar desse planeta com direitos iguais aos dos humanos: com respeito e dignidade.
A AMAES aproveita para agradecer a todos que nos escreveram aqui no Espírito Santo, se oferecendo para o voluntariado internacional, alguns inclusive dispostos a custear suas próprias despesas.
http://www.amaes.org.br/

16/02/2010

Carnaval

Canto, brinco, vibro,
hoje o corpo está autorizado,
redimido, pelos desejos mais loucos.
Nada profano,
Nada é pecado,
simplesmente canto, brinco, vibro,
danço, seduzo e sou desejada.
Liberadas as fantasias, explodo,
brilho cores que não tenho,
sou quem não sou,
sou quem gostaria de ser,
sou um ser que jamais seria.
Esbanjo fluidos divinos,
no êxtase pagão dessa alegria.
Nessa terça, sem terços e nem mordaças,
festejo o dia de reis, sou Rainha,
executo ritos, experimento vislumbrar,
no rosto a face esquecida.
Amanhã é outro início,
vão-se os gritos, os brilhos e os véus,
vão-se os poderes todos,
fica o resquício desse eu carnal
pele bendita prenhe de vontades,
epiderme espacial, onde, coletiva,
existo.

bairenatabomfim

14/02/2010

Guernica hoje



Gernica hoje

Alivia-me dessa dor!
Seca o sangue que escorre e corre,
manchando a terra, a água e a flor.
Livra-me da força do império da agonia
Livra-me do medo dessa côrte maldita
consagrada à fantasmagoria
à vergonha!

Dor dentro e fora do tempo
que me atinge e finjo, finges, finge
que não a temos.
Letargia ignorante,
nem pão e nem circo.
Guernica atualiza-se:
Iraques, Palestinas, Brasís,
tsunamis, maremotos, terremotos
Haitís, favelas, esquinas, praças e
instituições mesquinhas.

Nada vemos, temos, ou queremos,
nada de ventos, nem de brisa, ou de Paz!
Tememos!
Trememos!

Alivia-me do grito que está preso nas entranhas
Liberta-o!
Conjuga os fragmentos dessa tragédia cardeal,
estranha: sem nome, sem rosto e sem norte.
Revela o poder pulverizado que faz chover sangue.
Alivia-me dessa dor que fede, anestesia e tem gosto de morte.

bairenatabomfim

06/02/2010

Reserva Natural Reluz



Sempre me deixou muito triste ver passarinhos presos, pelo simples fato de terem asas, de terem sido criados por Deus para a liberdade, o  ilimitado, muito mais que nós, humanos, que sempre fomos chegados a uma prisão, principalmente se a gaiola for de ouro. Mas agora, uma observação mais paciente da natureza tem me ensinado muito, como por exemplo o empenho deste casal de pássaros para  alimentar e cuidar de suas crias. Enquanto um alimenta os filhotes, o outro canta para despistar predadores e chamar a atenção para si.

Prender um destes pássaros, ou os dois, corresponderá à morte certa dos filhotes e de outras gerações, uma crueldade sem fim. É um crime obrigar animais tão gregários a viverem sós em gaiolas, observem e percebam que eles sempre estão ou em bando, ou em casal, mas nunca sós.
Infelizmente muitas pessoas vêm aqui na Reserva prender pássaaros e, muitas vezes, para anelá-los, os mutilam e até mesmo matam. Muitos dos pássaros que abastecem o mercado perverso de animais não são criados em cativeiro e sim pegos na natureza.

Um trinca ferro engaiolado, por exemplo, passa um ano sem cantar em depressão profunda. Vamos denunciar essas barbáries e cobrar das autoridades as ações efetivas.
Abraços eco-fraternos
Renata

05/02/2010

Transluzir


Tudo se dissolve ao sabor do momento
No instante, tudo se desfaz.
O que era, já não é mais
O que fui, sou e serei
aquarela!

03/02/2010

2010, eu digo Sim!


Olá amigos, foi com muita alegria que aceitei o convite para coordenar a Oficina de Pintura da Clínica Psiquiatrica Travessia. Estava afastada da clínica da psicose a um tempinho, estava dedicando-me apenas aos "normóticos", mas confesso que já estava com saudades.

Eu comecei a trabalhar com oficinas terapêuticas quando ainda era estudante de artes da Ufes e, assim que me formei, passei a coordenar a oficina de Pintura do CAPS -ILha de Santa Maria, onde havia sido extensionista pelo Programa Cada Doido Com Sua Mania (UFES). Depois do CAPS-Ilha, tive a honra de participar da elaboração do primeiro ambulatrório de saúde mental do estado para crianças e adolescentes, no Hospital Universitário/ Hucam, e da estruturação do Centro de Atenção Continuada a Infancia e a adolescência (CACIA), na Ufes. bem, foram muitos anos ministrando e criando oficinas terapêuticas, um percurso que não é linear e me possibilita aprender a cada dia.

Bem, não sei se está se fechando ou abrindo um novo ciclo na minha vida com este aceite, mas sei que estou feliz!
Abraços
Renata

lembrança do CAPS Ilha de Santa

26/01/2010

Freda Cavalcanti Jardim: mãe do mosaico brasileiro

Olá amigos, amanhã o Letra e Fel completará 4 anos de existência e este fato me deixa muito feliz.
Através deste blog fiz muitos amigos, muita informação circulou, muita poesia nasceu, nasceu um livro, o Mina, que em março será lançado. Enfim, vitórias! agradeço aos amigos que prestigiam com seus comentários, visitas e textos.

O texto a seguir é de Myriam Pestana, estudamos artes plásticas na UFES com o privelégio de termos como professora e amiga a inesquecivel Freda Jardim.  O primeiro texto postado por mim neste blog foi uma homenagem  querida mestra Freda e hoje, presenteio a mim e a vocês com este artigo primoroso.  Obrigada Myrian! Curtam o texto!
abraços eco-fraternos
Renata

A MOSAICISTA FREDA CAVALCANTI JARDIM E O ENSINO DA ARTE


Myriam Fernandes Pestana Oliveira
Prefeitura Municipal de Vitória

O trabalho relata a trajetória da artista plástica mosaicista Freda Cavalcanti Jardim, que difundiu a arte musiva através de sua obra .Além de se tornar conhecida pelo mundo com seus trabalhos, Freda fazia mosaico e lecionava com o mesmo prazer. Foi professora em instituições públicas e privadas no Rio de Janeiro e no Espírito Santo Em meados dos anos cinqüenta mudou-se para Ravenna, na Itália onde estudou por cinco anos, várias técnicas artísticas, e se especializou em mosaico . Chegando ao Brasil se dedicou a produzir suas obras e lecionar para acadêmicos, artistas plásticos, e quem mais se interessasse. Preocupava-se com a liberdade de expressão dos alunos, porém em incentivá-los a pesquisar, estudar, visitar museus, galerias e a produção artística reproduzida em livros e periódicos. Aprendeu o mosaico bizantino, mas logo transformou em mosaico brasileiro, trocando a pastilha de vidro pelas pedras brasileiras. Trabalhou com pessoas de várias idades e classes sociais diversificadas, em todos os casos, seus ensinamentos consistiam, principalmente, em incentivar a criação.
Palavras-chave; Mosaico, Ensino da Arte, Auto-expressão, Pesquisa.


A MOSAICISTA FREDA CAVALCANTI JARDIM E O ENSINO DA ARTE
Referindo-se ao ensino da arte no Brasil, identifica-se que ao longo do século XX, importantes conquistas são enumeradas. O ensino da arte que já foi entendido apenas como desenho livre bem feito e retocado, desenho geométrico a serviço da industrialização, livre expressão, manifestação espontânea, cópias estereotipadas , etc. Com a Lei nº 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e arte é considerada obrigatória na educação básica: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”(artigo 26, parágrafo 2º). (PCN –ARTE,2001 p.28).
Refletia no trabalho do professor, que ora tinha que ser exímio técnico, e ora apenas figura sem ação na sala de aula, e por muitas vezes artista plástico, para produzir trabalhos perfeitos, as indefinições e/ou mudanças ocorridas ao longo do tempo.Além disso, agrava também a falta de instituições de ensino superior, que ofereçam a formação inicial do profissional, e a disciplina que é componente curricular obrigatório, é ministrada por profissionais de várias especialidades, que precisam completar carga horária. Até iniciarem os concursos públicos que exigiam as licenciaturas, mesmo assim pelo Brasil a fora a realidade ainda não é esta.
Sobrava sempre para a professora de educação artística, por exemplo, ser polivalente, já que a Arte se refere às linguagens, artes visuais, teatro, dança e música. Sendo assim, o profissional que lecionasse esta disciplina precisava ensaiar todas as dançinhas das datas festivas da escola, como as pecinhas teatrais, do dia das mães, as musiquinhas do dia dos pais, as bandeirolas da festas juninas, e ainda manter intactos, durante todo ano os painéis dos murais das escolas...ufa que cansaço!!! Com pesar, temos notícias, que isso ainda acontece em várias escolas brasileiras.
Porém, nem tudo é tão sofrido assim, felizmente educadoras e educadores, que acreditam no ser humano sempre existiram e vão continuar existindo em nosso meio. Estes fazem a diferença, e muitas vezes nos contaminam, ainda bem!
Contudo, cabe ressaltar que a partir dos anos 80 e 90, intensificaram os movimentos dos professores e acadêmicos como Seminários, Congressos, Encontros específicos da área, e as oportunidades de discussões, relatos e informações das pesquisas recentes, que contribuem para a formação continuada destes profissionais.
Vele ressaltar que alguns educadores há muito se esforçam para fazer que o ensino da arte em nosso país não seja só motivo de lástimas. Temos notícias de vários deles que se mexeram, encabeçaram movimentos, fizeram acontecer. Desde os idos dos anos cinqüenta , que temos notícias, com a professora Isabel Braga, criando a segunda Escolinha de Arte do Brasil, aqui, em Cachoeiro de Itapemirim. Nos anos 70 a professora Freda Cavalcanti Jardim chegando à UFES para ajudar organizar o Centro de Artes. Nos anos 90, com as professoras, Moema Rebouças e Maria Auxiliadora Corassa iniciando os Seminário sobre o Ensino da Arte na Universidade Federal, sentimos o salto dado pelo ensino da arte no nosso Estado.
A professora Freda começou seus trabalhos na educação, no início dos anos 60 dando aulas de mosaicos, em espaços formais e não formais da cidade do Rio de Janeiro onde residia. Sua experiência docente restringia-se a trabalhar na academia e com artistas plásticos, por meio da técnica da arte musiva.

APRESENTANDO FREDA
Freda Cavalcanti Jardim, filha de Maria Íris Cavalcanti Jardim e Germano Gonçalves Jardim nasceu em Fortaleza, Ceará, no dia 20 de março de 1926. Cresceu e estudou no Rio de Janeiro, onde formou-se em estatística. Ela costumava dizer que aprendeu dançar antes mesmo de andar. Gostava de tudo na vida que traduzia alegria. Em 1955 ganhou uma bolsa de estudos e foi parar em Ravenna, na Itália, mergulhou no mundo musivo de onde não saiu mais.
Voltou para o Brasil no início dos anos sessenta e começou difundir o mosaico bizantino, transformado por ela em mosaico brasileiro. Deixou de lado as pastilhas de vidros e passou a usar pedras brasileiras, conchas, cacos de vidros, enfim uma infinidade de materiais que passava até por osso de boi.
Foi professora de mosaico no Rio de Janeiro em instituições públicas e privadas, até ser convidada para auxiliar na organização do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo. Para nossa sorte, ela se apaixonou por Vitória, trocou sua cadeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ficou por aqui.
Várias gerações de artistas plásticos receberam suas bênçãos. Além de mosaico, ela tinha formação e lecionou pintura, estamparia, tapeçaria e joalheria; e o que não tinha formação no ramo das artes plásticas, se atirava a fazer e fazia bem feito.Tinha também, uma enorme ligação amorosa com a arte culinária, costumava inventar receitas exóticas.
Apesar de grande mosaicista reconhecida nacional e internacionalmente, sua maior satisfação era a arte de ensinar. Dedicava-se a alunos de diversas faixas etárias e diferentes classes sociais com muito empenho.
Membro fundadora da AIMC Associação Internacional do Mosaico Contemporâneo, viajou pelos quatro cantos do mundo levando sempre sua grande paixão: “o mosaico”
Não teve filhos biológicos. Em Ravenna, no último Congresso Internacional de mosaico, que participou, no ano 2000, fez questão de apresentar, segundo a própria, seus filhos para o mundo; o grupo de mosaicistas que a acompanhava.
Voltou de Ravenna, eleita presidenta da Associação, com a missão de fazer no Brasil o VIII Congresso Internacional de Mosaico Contemporâneo, pela primeira vez num país das Américas, um grande desafio, porém ela estava decidida, e o Congresso aconteceria em setembro de 2002.
Apenas quarenta dias, após nosso retorno da Itália, ela se foi, nos deixou órfãos, totalmente desnorteados, mas com a responsabilidade a cumprir sua maior realização, o Congresso Internacional no Brasil. Arregaçamos as mangas, corremos atrás e assim nasceu das cinzas vivas de Freda, o Grupo Fênix de Mosaico, formado pelo grupo que a acompanhou no Congresso de Ravenna .Assim o Congresso aconteceu em Setembro de 2002, no Teatro da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, recebendo artistas e admiradores da arte musiva de várias partes do Brasil e do mundo.

PROFISSÃO PROFESSORA


Apesar de se tornar conhecida como artista plástica mosaicista, Freda se dizia sempre professora, era o que fazia com prazer: aprender e ensinar. Lembrava sempre de um professor que teve em Ravenna, que após dar um acabamento num mosaico que ela estava fazendo, desmanchou tudo e mandou que ela fizesse de novo. Sempre contava esta história para lembrar que era preciso criar, cada um dar sua “cara” a sua obra.
Lecionava e produzia mosaico com a mesma paixão. Seu encantamento pelo mosaico costumava afetar algumas alunas e alunos que não conseguiram se desgarrar mais. O seu modo de ensinar era um tanto despojado, livre, costumava ter respostas para todos os questionamentos, porém sempre preocupada em não fazer pra você, ou para você ver. Insistia que a gente precisava aprender fazer “fazendo”.
Chamava atenção para necessidade de termos acesso as produções artísticas de artistas de várias épocas, e diversos lugares. Tinha uma ampla biblioteca em seu ateliê que disponibilizava para consulta e pesquisa, já que era mais atualizada do que a que tínhamos acesso na Universidade.
Ela não tinha experiência com turmas de sala de aula por um ano letivo, porém tinha uma vasta experiência com alunas, alunos, professoras e professores de várias idades e interesses diferentes. Se preocupava muito com a livre expressão de todos que passavam pelos seus ensinamentos, mas lembrava sempre de deixar a disposição muitos livros, periódicos, imagens, que não servissem para serem copiados, mas que mostrassem as tendências, as histórias que as reproduções contavam.
Na academia ficava muito aborrecida quando via os alunos copiando. Chamava atenção lembrando a necessidade dos trabalhos serem autênticos, criativos, incentivava a visita às galerias, aos museus e aos livros. Não gostava de dar receitas prontas, nos incentivava a ousar. Misturar materiais, inventar. Lembrava sempre que as crianças não deviam ser podadas, ela acreditava que para incentivar a criatividade era preciso deixá-las se expressar, nada de desenhos prontos ou cores escolhidas por adultos.
Freda sempre tinha mais de um trabalho iniciado, e sempre estava inventando outro. Desde painéis de quinze metros quadrados a mosaico jóia, uma de suas últimas invenções, era cheia de imaginações e produções contemporâneas. Estava sempre disposta a ensinar e a participar dos eventos que era convidada, desde o mais simples, ao mais sofisticado. Principalmente, quando eram eventos em escola, respondia às perguntas da criançada, levava seus trabalhos, contava suas histórias, bastava ser convidada.
Apesar se sua limitação física, que adquiriu depois de um acidente automobilístico, não media esforços, para participar de vernissagens, visitar exposições de arte, expor seus trabalhos em exposições individuais e coletivas. Em. exposições coletivas, poderia ser junto com artistas famosos como ela, artistas emergentes e até grupo de alunos. Era uma pessoa muito simples, que dizia que a arte tinha que ir onde o povo estivesse, porque o trabalho artístico conta a história da humanidade , daí a necessidade de estudar para ensinar arte, e levar a vida preocupada em aprender cada vez mais e conseqüente ensinar também. Seu modo de pensar e de agir nos remete ao que afirma Paulo Freire : “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde.Ninguém nasce educador. A gente se faz educador, a gente se forma educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.” (FREIRE.2002.p.39)

O MOSAICO BRASILEIRO
A arte do mosaico é uma técnica milenar que é encontrado em revestimentos de igrejas inteiras como, por exemplo, a catedral de São Marcos em Veneza, na Itália, a catedral de Santo Apolônio de Ravenna,também na Itália, é mais um grande número de igrejas em várias cidades do mundo . O mosaico é encontrado não só em igrejas, e nem só em revestimos completos. Em muitos casos são detalhes em repartições e monumentos públicos e privados. É uma técnica que possibilita ser usada em painéis de espaços amplos, e em utilitários domésticos, como bandejas, porta-retratos, pisos, piscinas, etc...
Quando Freda foi estudar mosaico em Ravenna, o que se ensinava era o mosaico bizantino, que era confeccionado com material em formato de pastilhas de aproximadamente 2cm X 2cm constituído por uma pasta vítrea. Os painéis costumavam ser chapados na parede, piso, ou qualquer outra superfície, desde que ficassem de maneira linear. Quando retornou ao Brasil sentiu muita dificuldade em conseguir o material para confeccionar seus trabalhos, porque precisava pedir, na Itália, e aguardar a chegada da encomenda que na maior parte das vezes vinha de navio, com isto o trabalho demorava muito pra ficar pronto.
Porém ela costumava lembrar que o que mais a incomodava era usar produto que era de difícil acesso, e que no Brasil tinha muito material que poderia ser aproveitado pra fazer trabalhos tão belos e tão duradouros como os italianos. E ai começou fazer usas experiências, não abandonou de vez o mosaico bizantino, mas continuou substituindo cada vez mais as pastilhas de vidro por pedras e materiais nacionais.
Além da substituição do material ela também saiu do plano linear, seus trabalhos tinham formatos diversificados. Tinha o painel luminoso, o mosaico escultura, o mosaico jóia, o mosaico objeto, enfim além das formas ela misturava material, e dava a suas obras uma característica bem original.
Freda não só fazia o diferencial no seu trabalho, como dava como exemplo, a necessidade de criar a partir também do material acessível.Quando lecionava para grupos de comunidades, pedia que as pessoas pesquisassem na sua comunidade que materiais tinham em abundância e incentivava a pensar como utilizar.Dizia que bastava um pouquinho de boa vontade, de pesquisa, de leitura que a criação fluía, incentivava uso de materiais locais, que segundo ela tornava os trabalhos mais autênticos.
Batizou seus trabalhos de mosaico brasileiro, e estes costumavam chamar a atenção onde fossem expostos. Existem obras assinadas por ela em acervos de vários locais públicos como o Palácio Itamaraty em Brasília, na sala da reitoria da UFES, na igreja São José no bairro maruípe em Vitória, na sede da ONU no Chile, etc...bem como em faixadas de edifícios e murais particulares também.
Seu trabalho era inconfundível e personalizado.Tinha sua marca, sua criação inédita e expressiva, exemplo foi o que não faltou por parte da professora e artista Freda Jardim.

O LEGADO MUSIVO
A etimologia da “palavra ‘MOSAICO’ é de origem grega e provém da forma antiga MOUVAIXOU(mosaicon) que significa “paciente, digna das Musas” no sentido de “obra paciente, digna das Musas. Paciente, porque requer muita paciência e muita atenção para executá-la Digna das Musas, porque se trata de trabalho de rara beleza, feito com materiais que duram séculos e por isso tem um sentido de eternidade, isto é, de divino.”(Mucci,1962,p.15)
Afirma-se que o maior legado deixado pela mestra Freda, foi a simplicidade, a vontade de ensinar sem se mostrar melhor que ninguém. Sua capacidade de ensinar a pensar, a produzir , a inventar, é um exemplo que podemos ser para nossos alunos.
Irreverente, alegre, artista, mosaicista, educadora, teimosa, gostava muito da cor vermelha e de cozinhar, ela costumava se descrever assim, Gostava de lembrar que seu apelido na universidade carioca, que trabalhou, era “chá Mate Leão- que já vem queimado”, e que quando chegava irritada na faculdade, antes de começar sua aula, quebrava um bocado de pedra pra fazer mosaico primeiro, pra ficar calma, depois atendia os alunos.
Apesar de ser tão inquieta era dotada de uma grande dose de paciência para fazer mosaico. Sempre repetia que a palavra chave para se dedicar a “arte de unir fragmentos” era a paciência, que aparentemente ela não tinha, já que se irritava com facilidade, com as coisas e as pessoas.
Traduzo sua paciência em sua boa vontade de difundir a arte e principalmente se preocupar com o ensino da arte. Ensinou vários técnicas artísticas durante seu período docente, porém se identificou com a que mais exigia dela, o mosaico.
Levou sua vida juntando muito mais que caquinhos para fazer obras de arte. Por meio da arte fragmentada, como costumava se referir ao mosaico, uniu pessoas, obras de arte, e deixou discípulos preocupados em difundir seu trabalho, sua arte e seus ensinamentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-MUCCI, Alfredo. “A arte do mosaico”.Ao livro técnico editora. Rio de Janeiro, 1962.
-BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais:Arte. Secretaria de Educação Fundamental. Editora Brasília. Brasília , 2001.
-BOVINI, Giuseppe. “Ravenna its mosaics and monuments”.Longo Editore. Ravenna, 1999.
-FREIRE, Paulo. “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa” Editora Paz e Terra. São Paulo, 2007.

21/01/2010

Agora é Lei!: Proibido circos com animais no ES



Amigos, é com a maior satisfação que dou visibilidade a esta noticia,  agora é lei, é proibido circos com animais no ES.

Venceu a compaixão e o bom senso!
Este é um passo muito importante para a uma sociedade como a nossa, violenta e cínica, é o sinal de que as coisas podem e vão mudar.

Parabéns a AMAES (associação Amigos dos animais do ES)
parabéns ao nosso governador Paulo Hartung
Parabéns ao Deputado Dr. Hércules
e a todas as entidades que lutam pela justiça: Essa vitória é fruto de incansável batalha, formada por uma colisão de entidades pró animais(SOPAES, FOCA, GRUPO GALA, AVIDEPA,INSTITUTO ORCA, IBAMA, CRMV e WSPA)
Informamos também que o leãozinho nascido no GAP faleceu semana passada, uma pena!
Abraços a todos
Renata

20/01/2010

Amor de gato


Amor de gato

Nunca subestime o amor de um gato
porque os felinos, esses sim, sabem amar.
Amam sem limites
da ponta do rabo à ponta do bigode.
Sacrificam tudo, até mesmo,
a  sua natureza.
Dóceis ou selvagens
é tudo, sempre,  por amor
por amor!

15/01/2010

O fracasso da COP 15 (texto do teólogo leonardo Boff)

É a treva: rumo ao desastre

Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:"É a treva". Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre (eu também acredito nisso, por mais pessimista e exagerado que possa parecer)Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo (ou já estamos, é só ver as catástrofes por motivo do clima aumentando cada dia mais) ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas. O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade: "faltou-nos inteligência" porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos. Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível (Isso ainda não é de acesso do coletivo), do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis (sem tirar e nem pôr), cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas? Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista (concordo em grau, gênero e número). Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios. Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir (é a lei do "ponha roda na mãe", nesse caso a mãe terra). Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele. Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos "pro tempore" e pratica trabalho infantil em vários paises. Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade? Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um "louco" numa sociedade de "sábios", foi o presidente Evo Morales: "Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra".
Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.

14/01/2010

No prelo...

Amigos, meu livro (Mina) está no prelo, está sendo feito com muito carinho,
em breve avisareio o dia e o local do lançamento.
Abraços
Renata

13/01/2010

AMAES: orgulho capixaba!



Amigos, que orgulho eu sinto de ser capixaba quando vejo a AMAES trabalhando. Entre as muitas ações que realiza, destacamos a luta pelo fim do uso de animais em circos (o verbo é usar mesmo, como se fossem coisas). No dia 12/01/2010 nasceu  no Santuário do GAP, em Sorocaba (SP), um leãozinho filhote da leoa Carol, do circo Rostok. Este leãozinho será o símbolo da luta contra a exploração de animais em circo. Três leões viviam neste circo, subnutridos, numa jaula ínfima e sem qualquer condição de higiene ou segurança.O filhote de uma semana será batizado de Hércules, se for macho – em homenagem ao deputado Dr. Hércules, um dos maiores lutadores pela causa animal no ES, e Vitória, se for fêmea – em homenagem ao nome da capital do estado. Por ser ainda muito jovem, a equipe do santuário ainda não conseguiu identificar o sexo do leoazinho. “Esse bebê não teve o privilégio de nascer numa floresta imensa, mas também não teve a infelicidade de nascer dentro de uma jaula, num circo” (Rômulo Vitório, da diretoria da AMAES)  A luta continua: O grupo de protetores, liderados pela AMAES e com apoio da WSPA – Sociedade Mundial para Proteção Animal – vai contar a história do leãozinho e sua família aposentada de maus-tratos em circos para reforçar e sensibilizar o Governador do ES. Amanhã, dia 13, o grupo terá uma audiência com Paulo Hartung para argumentar a favor da sanção do PL que define a proibição de circos sem animais no estado. Se a Lei for aprovada, o ES será a oitava unidade da federação a decretar o fim dos maus-tratos a animais em circos no país. O PL de proibição de animais em circos no ES foi criado após a mobilização da sociedade local por conta da remoção dos três leões do circo para o GAP no ano passado. Após algumas audiências públicas, o PL foi incrementado e aprovado por unanimidade na Assembléia Legislativa em dezembro, só dependendo agora da sanção do Governador para se tornar Lei.


A bromélia


Da bromélia imperial
Quanta supresa por vir
lesmas, mosquitos, grilos,
e perereca a sorrir.

foto retirada na Reserva Natural Reluz (Marechal Floriano/ES)

08/01/2010

Fórum sobre psicologia analítica Junguiana no YOUBLISS


Olá amigos, do dia 25 ao dia 30/01 estarei respondendo as pergunta da galera sobre a vida, a obra e a práxis da psicologia de Carl Gustav Jung em um fórum no  YOUBLISS. Para participar basta entrar no site e se inscreve, é gratuito.
Atá lá
Abraços
Renata

cançaõ para Frida Kahlo

Quero abraçar teu desamparo.
Ser  tua  gêmea invertida
e ainda Outra.
Quero amparar-te toda,
parte por parte,
emendando
a tua perda irreparável.

Me denuncias
com  imagens: dor, fel e docura.
Cai a máscara, livre,
minha alma respira liberdade.

Posso ser simplesmente
essa e outras.
Tocar epifanica e santamente
o manto da santidade,
no azul turqueza de tua paleta sem tinta.

Teus artefatos preciosos: 
colares, anéis e sonhos de jade,
teus vestidos longos, rodados,
espalham  flores de estampas espetaculares.

Corpo frágil se tranforma
em cor saturada, aquarela inquietante,
de imagens da terra e do céu.
A feminilidade dos traçados
produzem sentidos convertidos,
multiplas imagens
que me refletem ad infinitum.
Nelas,  me reconheço e recomponho,
a chorar e a sorrir.

Quero abraçar teu desamparo, sim!
Acolhendo a dor que mora dentro
curando as chagas das saudades
e deixando ir, libertarando,
mágoas e sonhos que não vivi.

bairenatabomfim