24/12/2008

"É extremamente breve a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e receiam o futuro" (Sêneca)


Minha amiga Simone sempre diz: "Renata, leia os clássiscos". Foi a partir dessa recomendação que passei a olhar com mais atenção para Platão, Sêneca, Aristóteles, entre outros pensadores que, na contemporaneidade, ainda se mostram eficazes em fornecer peças- chaves para as questões do nosso dia a dia. Sêneca escreveu um breve tratado Sobre a Brevidade da Vida , buscando convencer Paulino, pessoa encarregada de abastecer Roma com trigo, a abandonar seu posto e dedicar-se ao estudo da filosofia. Os argumentos de Sêneca são incontestáveis, mas, se Paulino os escutou e seguiu, isso eu não sei.
Sêneca diz que se deve aprender a viver por toda uma vida, e que por mais que nos espantemos, é também por toda uma vida que devemos aprender a morrer. É no intervalo que a vida acontece, e as pessoas esperam por momentos especiais para isso e aquilo e seguem sempre esperando... É a Esperança presa na caixa, enquanto Pandora assiste os males do mundo alçando vôo e circulando livremente.

Ser livre
Refazer o caminho
dar passos ao contrário
desmontar os cenários
deixar o mato crescer.

Andar de cara limpa
acreditar que o outro e eu
somos a unidade
semente da diversidade.

Acerditar que o tempo é mera ilusão
e que somos nós que
passamos ou ficamos parados
Esperando o tempo propício
de viver

22/12/2008

Por um Natal que celebre a VIDA, sem matanças...mesmo que a vida seja de um simples animalzinho...

Estava assistindo a uma entre tantas propagandas que vendem carne para o natal e o ano novo. A propaganda mostrou uma confraternização que tinha como centro um peru assado... Tenham dó!!!!!! Acredito que as pessoas saibam da crueldade sem limites por que os animais passam até chegarem "douradinhos" à mesa, mas, preferem nem pensar nisso....

Rejeite uma ceia de Natal sangrenta. Salve vidas e descubra o verdadeiro espírito Natalício; o da comunhão do homem com todos os outros seres. Feliz Natal!

poema sem título (nº45)

"Viva àqueles que perderam!
E para aqueles cujas naus de guerra naufragaram no oceano!
E para aqueles que se afogaram no oceano!
E para todos os generais derrotados em suas empresas, e todos os heróis abatidos!"
(Walt Whitman)
Eles querem glória, fortuna e
reconhecimento
Anseiam o triunfo
Derramam sangue nas guerras
e carregam, sem culpa, os despojos.
Eles querem glória, fortuna e
reconhecimento
e querem sempre mais
querem a posse da terra e da água
Mas rejeitam as agruras e intempéries
do tempo que passa
Desafiam Deus
julgando serem eternos.
Benditos àqueles que caem
e que cedem
também àqueles que deixam pra lá.
Benditos os que reconhecem as perdas
e não lamentam os bens usurpados.
Benditos os simples e sem patentes
pois ninguém, jamais, lhes roubará a alma.

21/12/2008

arcaica

Te busquei nos meus olhos
Te busquei, tanto, incendiada,
pelo laranjal perfumado e florido
que abriga pássaros párias
assim como eu
antigos engaiolados
que, ainda, tem medo de voar.

Te busco perdida entre farpas
arranhada pelo arvoredo
produzindo ecos de mim
nos rochedos distantes
Girando, girando e
retornando sempre
Aqui
sem respostas.

Quem sabe sob maldição primordial
Destinada ao labirinto
sem fio dourado ou rendas
de cara limpa
negando os sacrifícios de sangue
Anseando a paz
uroboro-buscando e assistindo
o Dragão cuspir fogo
gemer e
morder a própria cauda.

17/12/2008

Literatura capixaba em foco! lançamento de livros e Roda de leitura...

Olá Amigos,
hoje (17/12), no IGHES, foi realizada uma solenidade, com sarau, cantata e lançamento de vários livros, entre eles o "Escritos de Vitória, 25: Vitória, Cidade Sol", no qual eu participo com a poesia intitulada "Moqueca capixaba". Uma festa muito bonita que contou com presença de convidados ilustres como a escritora Bernadette Lyra e a família Braga que veio de Cachoeiro especialmente para o evento.
Paralelamente, na BPES/ Biblioteca Pública Estadual, nossa amiga Karina Rezende ministrava uma roda de leitura sobre o conto "MIssa do Galo" de machado de Assis, em comemoração ao centenário de morte do Bruxo do Cosme Velho. Cheguei no finalzinho, mas deu pra ver o sucesso do evento, enfim... a literatura está a cada dia com maior visibilidade na nossa cidade, e fico feliz em fazer parte deste movimento...
Vitória, Cidade Sol é uma antologia que reúne 26 autores contemporâneos com mais de 50 textos ( poesia, conto, contos híbridos, crônicas, ensaios). É uma homenagem a nossa cidade, um canto de amor a Vitória, com suas luzes e sombras, enfim... o livro está uma maravilha!

Guilherme Santos Neves autografou os volumes 1 e 2 da Coletânea de Estudos e Registros do Folclore Capixaba / 1944- 1982. Cada um volume com aproximadamente 600 páginas.
O livro apresenta um panorâmico retrato cultural do folclore capixaba, fruto de pesquisa de váriados estudiosos sob a batuta de Guilherme Santos Neves.


A Embaixadora das artes é fruto de uma minuciosa pesquisa realizada pela Mestre em Estudos literários vanda Luiza Souza Netto. Essa obra lança luz sobre os escritos de Lídia Besouchet (1908- 1997). Besouchet nasceu no Rio grande do Sul e veio morar em Vitória na adolescência, deixou uma obra relevante e tornou-se patrona da cadeira nº 32 da Academia Espírito Santense de Letras.
Textos de História Militar do Espírito Santo integra a coleção João Bonino Moreira- vol 3. Foi compilado por Getúlio Marcos Pereira Neves e descreve entre outros acontecidos da presença de Vasco Fernades Coutinho na Campanha de Goa, da morte de Fernão de Sá, do Ataque dos franceses a Vitória, entre outros assuntos.

"O que eu sei é que, se me fora dado a escolher, no vasto mundo de DEus, um lugar para eu nascer... Bem: escolheria este: Cachoeiro de Itapemirim. Por que? sabe-se lá o porquê das coisas do coração?" (Newton Braga"
Newton Braga (1911- 1962) tem sua vida e obra apresentadas por Sara Novaes Rodrigues no Poeta, cachoeirense. Mais um livro da coleção Roberto Alma, o de nº 19.

O Pavão Multifacetado escrito por Carla de Paula Santos, fala da Vida e obra de José carlos de Oliveira (1934- 1986). Carlinhos, era um existencialista e forma juntamente com os escritores Luiz Fernado Tatagiba e Amylton de Almeida a triade que comungava com o mundo de Sartre e Camus. O Pavão Multifacetado é segundo o professor Francisco Aurélio Ribeiro, "um dos melhores romances memorialisticosjá escrito neste país".

A Revista de nº 62 do Instituto Histórico e Geográfico do ES possue 12 artigos e trata de temas como: A transmigração da corte e sua influência no desenvolvimento do ES; O mapa mundi de Ortélio Abraão; Sucessão dos donatários do ES, à luz da genealogia; Café e mudança no ES; entre outros.

13/12/2008

puer

Lá no intimo há uma criança
****************esquecida
que aos poucos se aproxima
sob o mato prata da timidez

Assim como quem não tem direitos
*******************ferida
Ensaia falas singelas
de verdades simples e essencias

Vem chegando como um raio
desafiando regras e normas
Vem cantarolando versos
que comunicam doces amarguras

Escolho fechar os sentido
janelas e portas da casa de vidro
onde a criança mora?
Ou abro a fibra bruta
que o tempo calcificou?
************Dúvidas
************Medo da cura
************do escuro

Toda criança é bendita!
mesmo que maltratada
Suas feridas são chagas divinas
Toda criança é trabalho em diração a luz
é promessa de boas novas
é encantamento

Aceito o desafio
Vem para fora!

Flores de tecido...

Olá Amigos e amigas,
Apresento para vocês algumas flores que acabei de confeccionar. Acessórios femininos e delicados que podem turbinar a roupa mais sequinha e podem ser utilizados também em bolsas.
Espero que apreciem o trabalho
Abraços afetuosos
Renata



rosa vermelha e flor amarelo ouro
Flor de lótus

Flor aquarelada

30/11/2008

Poema inacabado

O amanhecer está aí
despontando
arrebentando na abóbada chumbo
contrariando aqueles que profetizaram
a tua ruína
Carpe Diem!
Sorve até a última gota
o dia que se anuncia
Seja feliz agora
estrangula a hidra
estrapola
Seja criativo
sem medo de errar
acolha a erro
e grita alto
"Não me importo com isso!"
e se importe
apenas
com os riscos
de não arriscar
Rabisca
lambuza
vira o disco
traduza para a lingua dos homens
os sonhos utópicos
enfim...

24/11/2008

Poesias de Pedro Paulo Boffy

Amigos, apresento a vocês uma pequena mostra da escrita de Pedro Paulo Boffy. Uma poesia marcada pela leveza e pela multiplicidade de camadas interpretativas. Bem, agora é só curtir...

A luz que toca no chão.

Sonhei que uma bela estrela caminhava pela areia e,
estava prestes a banhar-se,
por onde passava exalava o seu perfume celestial.
tocava lentamente a areia,
ali deixando a expressam da perfeição que
ostentava sobre as marcas de seus pés na areia.
A brisa soprava levemente,
espalhando o suave aroma de paz...
As ondas bravias que pareciam querer sufocá-la,
à medida que delas se aproximava abrandavam
e com que se tivessem revenciando-a,
punham-se a saudá-la.
E, repentinamente, tocando-a,
pusseram-se a envolve-la,
acalmando o calor que saía de seu corpo;
sem apagar o brilho e já toda envolta,
o mar punha-se a acariciá-la,
até que subitamente,
passo-apasso retirou-se das ondas e,
deleitada com tanto acalanto,
subitamente voltou a integrar sua constelação,
de brilho úno e imprescidível.
Com vida toda viva.



Pedra da fé.

Grande PEDRA,
COM expressiva flor,
morena de sol,
de brilho dourado,
de boca maça,
como amoras de época,
com beleza que reflete,
para o chamado angular,
no seu Rei escolhido - cheio de edificações,
pescador de emoções,
da pedra do ser,
razão do estar,
por ter voce
e toda uma humanidade...
que leva cada vez mais longe teu pensamento,
coberto de verdade...ilhado no mundo,
da grande pedra da fé.

11/11/2008

ovo cósmico

A falta toca o peito e
abre buracos no tempo/espaço
(aproveito)
afasto pensamentos limitadores
sombras
A leveza me invade
viajo nas asas do vento

Sou Fernão Capelo Gaivota
Ulisses nos braços de Circe
Sou Eva cantando triste
(desejosa)
pela fruta que tanto gosta

AH! se eu pudesse beber do Letes
e ser inaugural como a alvorada
ser Divina
e não essa fêmea bruta
mulher em construção
alterada pelas limitações
e mesquinharias
da humanidade nata

As mãos tecem desafios
Criam inéditas formas de ser
e existir
abro os olhos para o novo que surge
(tímido)
Fruo estes versos
que são andorinhas
e  voam em direção a você

Te convido para brincar
para decantar palavras
celebrar alianças verbais
que se tornarão carne

Me empresta a tua voz ?
e canta com a minha lira
escreve outro poema
vivo, lúcido
Rizoma que justifica
o meu intento

Estou descansada
meus olhos se fecham
respiro suavemente
cabeça erguida
mãos estendidas
Amigo,
somos flechas
mirando o infinito


27/10/2008

questões poéticas XV

O que te faz feliz?
O que faz vibrar teu coração?
O que te faz pensar?
O que a consciência te diz?
Em mim brotam mil pensamentos
água de fonte, eles
são rebentos, são como filhos que
ora acolho, alimento, e hora
negligencio deixando ao sabo da propria sorte.
Me faz feliz imaginar a humanidade
vivendo em harmonia com a natureza
Todos comendo grãos e vegetais,
bebendo água pura,
com saúde e moradia
e me dizem: "que discurso gasto, pura utopia"
me calam a voz.
Mas logo sugem os engasgos
os nós na garganta
e minhas palavras altivas e
até mesmo agressivas
pedem passagem.
Então emerge um eu que
até eu mesma desconheço,
e já não sou sou mais essa aquela
Sou fauna,
flora
macaco, paca, tatu
passarinho na gaiola
cantando em gritos.
Faz meu coração vibrar essa energia
a minha consciência está desperta!
Sei que estou aqui, agora,
mas um dia, serei da terra alimento.

Convite à sedução

Me seduza com tua manha
dobra o meu orgulhoso
com palavras obtusas
colorindo os dias e noites
com promessas vãs.

Me induza à perdição
ao abismo dos apaixonados
onde tudo é terrivelmente belo e raro
onde habita o sentido, a completude e
a comunhão.

Me faça sentir viva
Não é isso o amor?
Essa cegueira induzida
esse sim, não, sim.
Não é abrir, por vontade própria,
na carne, feridas?
Chagas benditas
Ter por deus a saudade
e render-lhe adorações
não é curtir, como D'Avila,
o tal gozo mistico?
Não é isso o amor?

Me seduza
Anseio esse descentramento
Para que a vida se torne verdade
Anseio essa experiência divina
fundada na utopia
pra ver brotar de novo o desejo
Transformando em encantamento
O que agora é pura afasia.

21/10/2008

A fúria de Eros

Desejo a luz azulada
Do teu peito abrasado
Dá-me o teu gozo
o teu coração
Dá-me o teu pulmão
Teu baço
Pernas e braços
Sê meu por inteiro
Sem sombras e nem saudades
Deixa para traz
pai
mãe
irmão
Deixa de comer e beber
Vem para mim com cuidado e
Sem demora
Traz o fogo de Prometeu
De Zeus a chuva de ouro
Vem dissimulado
Deita com os olhos semicerrados
E finge que não me viu
Vou te dar o meu ódio
em férreos beijos e abraços
Cacos afiados de antigas convenções
Sê meu nesse delírio de posse
Antes que noite acabe
e se desfaça a fantasia
Antes que vire dia
Dá-me a fonte de luz
que o teu sexo irradia.

nó na garganta

Se te conto os sonhos mais íntimos
É porque são não- sonhos.
Se te engulo em dias de calor e te
Enrolo nas cobertas da saudade no frio
é porque minhas lembranças clamam
das profundezas.

Não sou especial!
Sou apenas eu
de mãos vazias,
versos translúcidos,
Sou apenas eu
>>>>>>>o pretérito
>>>>>>>a preterida

Sou apenas eu
Embalada por verbos-pirações
derramando-me sobre o papel em fantasias
enriquecidas pela paranóia.

Esse nó na garganta difícil de desatar, amor,
é a minha vida
Buscando ar, espaço, acolhida,
Sou eu tentando ser gente
precisando de amor
fazendo igual cachorro pulguento
buscando dono e lambendo as feridas.

Silêncio

Silêncio
Faz-se necessário ouvir
Este som
Este grito
A música dos loucos e dos exilados
É preciso, também, observar, enxergar
O mais cruel
O mais triste
É preciso sentir a dor
É preciso ver a cor do medo e da tristeza
E suar frio até pingar
Arrancar as roupas
descalçar
Ficar nu
Ter a alma nua
A revolta vai brotar linda assim,
excitada, sob forma de ação.
Sim, é preciso agir, e rápido,
Partir em busca de solução
Para a fuga
Para o desespero do mundo
Vamos sair correndo
de dentro da roda
É preciso virar marginal
Vamos curtir a margem
de onde se é invisível
de onde tudo se vê, ouve e sente
onde o sonho é uma utopia tangível
e de onde partem todos os por quês.

Linhagem

Cabem nas mãos pequenas
da mulher
a agulha, o tecido e o fio com que
alinhava veloz as mágoas
Buscando fechar os rasgos
Remendar as coisas
Revivendo verbos puídos
e desgastados:
Amar
Sonhar
Sofrer
Ofertar
E ao fim do bordado
arabescos de dantesca bruteza
revelam o ácido da trama que corrói
corrompendo e condenando
a mulher
que sempre se doa
a eterna incerteza.

ribeiras da melancolia

São colinas essas estranhas
que se elevam diante de mim
O gelo encobre a terra fértil
O rio do tempo passou sulcando o chão que
hoje é pedra
Marcas de uma Era que deixou de existir.

Eu, essa pequena ponta de ice- berg
vagante
Domada como um carneirinho
engolindo sapos e o tempo que passa
sendo devorada como os livro
pelas traças da perplexidade , do susto e
do absurdo.

A barreira torpe que meu corpo encena
vai sendo transposta devagar
vencendo a lei da mão do mais forte
impelindo minha energia vital a buscar espaço
nas sombras e a desfrutar núpcias
nos braços da morte.

Versos de orgulho e solidão

Que julguem!
Prefiro o inferno a dobrar-me
Prefiro a morte à sujeição
Prefiro este frio na alma.

Até que tudo se abrande
Silencio a consciência e
calo completamente a voz.
Não permitirei que ouçam
lamentos e nem murmúrios
Não permitirei intromissões
Nos campos dos meus desejos
Nem que colham os morangos
da minha dignidade.

Recolho os sonhos e
Os guardo com cuidado.
Respeitosamente espero a chuva cair.
Experimento o sabor do perdão
por serem meus os pés e as mãos que
Constroem rápido o buraco
da minha sepultura/solidão.

10/10/2008

O que acontece com o saquinho que "ingenuamente" pegamos nos supermercados , padarias, feiras...?


Amigos,

os saquinhos que "ingenuamente" pegamos nos supermercados, nas padarias, nas feiras..., são arrastados para diferentes lugares do planeta, até os mares, lagos, rios... Eles encontram caminho para o mar em bueiros e encanamentos, já foram encontrados sacos plásticos flutuando ao norte do Círculo Ártico, e também muito mais ao sul, nas Ilhas Malvinas. Os saquinhos plásticos se fotodegradan: com o passar do tempo se decompõe em petro-polímeros menores e mais tóxicos que finalmente contaminarão os solos e as vias fluviais. Como conseqüência, partículas microscópicas podem entrar para a cadeia alimentar. O efeito sobre a vida silvestre tem sido catastrófico. As aves ficam presas e cerca de 200 diferentes espécies de vida marinha, incluindo baleias, golfinhos, focas e tartarugas morrem por causa dos sacos plásticos e morrem depois de ingerir os sacos plásticos, que confunden com comida.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos divulgou que são consumidos anualmente entre 500 bilhões e um trilhão de sacos plásticos ao redor do mundo. Menos de 1% dos sacos é reciclado. É mais caro reciclar um saco do que produzir um novo. Processar e reciclar uma tonelada de sacos custa U$ 4000. A mesma quantidade de sacos é vendida no mercado de matérias-primas a U$ 32”. Os sacos plásticos são feitos de polietileno: um termoplástico que se obtém a partir do petróleo, reduzindo o uso dos sacos plásticos diminuirá o consumo de petróleo, recurso não renovável que gera tantos conflitos... A China economizará 37 milhões de barris de petróleo por ano graças à proibição dos sacos plásticos gratuitos, e tem gente que ignora tudo isto… O que podemos fazer?
Se usamos uma bolsa de tecido, podemos economizar em torno de 6 saquinhos plásticos por semana, 24 sacos por mês, 288 sacos por ano, 22.176 sacos ao longo da vida. Se apenas 1 de cada 5 pessoas neste país fizesse isso, economizaríamos 1.330.560.000.000 sacos plásticos durante nossas vidas. É questão de fazer um pequeno esforço e logo a gente se acostuma a levar a sacola de pano às comprascomo era antigamente...

Bangladesh proibiu os sacos plásticos, a China proibiu os sacos plásticos gratuitos, a Irlanda foi o primeiro país da Europa a cobrar impostos sobre os sacos plásticos em 2002. Desta forma, reduziu o consumo em 90%, Ruanda proibiu os sacos plásticos em 2005, Israel, Canadá, Índia, Botswana, Quênia, Tanzânia, África do Sul, Taiwan e Singapura também proibiram ou estão em vias de proibir os sacos plásticos. Em 27 de março de 2007, São Francisco tornou-se a primeira cidade dos EUA a proibir os sacos plásticos.

O crepusculo dos deuses

A forteleza erguida e reluzente
inspira os homens
No baixo o indigno se agita e desesperado
busca ouro nas entranhas da terra
Na terra os mortais choram a fortuna desdita
Turavam-se as águas do rio.
Chegado o dia da batalha final
o deus louco, caolho,
de cegueira impudica,
reclama para si o verde
e as águas cristalinas
queimando tudo que tem vida
até a sabedoria que
maçã dourada jamais compraria.
Adormece a terra
à espera de uma outra era
que imperiosa se anuncia.

09/10/2008

Cada pessoa é responsável ....

A pecuária representa uma das atividades humanas mais impactantes para o meio ambiente, consumindo grandes quantidades de água, grãos, combustíveis fósseis, pesticidas e drogas.
Esta atividade é também a principal causa por trás da destruição das florestas tropicais e outras áreas naturais, além de grande responsável por outros impactos ambientais, como a extinção de espécies, erosão do solo, escassez e contaminação de águas, desertificação, poluição orgânica, efeito estufa etc.

Na pecuária intensiva, o gado é criado em sistema de confinamento, sendo mantido por toda a vida em recintos apertados, com alta densidade populacional, vivendo sobre as próprias fezes. Devido à insalubridade a que estes animais estão sujeitos, é grande o risco de infecções. Por este motivo, estes animais recebem juntamente com a ração antibióticos e outras drogas, além de hormônios de crescimento (o que no Brasil é proibido, embora praticado).
Neste sistema de criação, o gado é alimentado no cocho com ração à base de grãos como soja e milho. Mais de 80% do milho e da soja produzidos nos EUA são destinados à fabricação de rações e praticamente todas as exportações brasileiras destes produtos, para os EUA e Europa, destinam-se a este fim.

Caso estes grãos fossem utilizados diretamente na alimentação de seres humanos, sua produção não necessitaria ser tão elevada e as áreas de terras cultivadas não necessitariam ser tão extensas, sobrando mais espaço para os ecossistemas naturais. Alimentar animais com grãos para depois comê-los é um uso ineficiente dos grãos, pois a conversão de proteínas vegetais em animais implica em custos. Os grãos são mais eficientemente utilizados quando consumidos diretamente por seres humanos.

Uma determinada área capaz de sustentar um único indivíduo consumindo carne poderia sustentar entre 12 e 30 indivíduos consumindo alimentos vegetarianos diversos (para mais detalhes, leia o texto “Vegetarianismo e Combate à Fome”). Sob outro ponto de vista, para sustentar cada ser humano vegetariano é necessário entre 12 e 30 vezes menos terra do que para sustentar um indivíduo que baseie sua alimentação em carnes.

Francês Le Clézio é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

O mais prestigioso e cobiçado prêmio literário do mundo vai para o escritor Jean-Marie Gustave Le Clézio, anunciado nesta quinta, 9, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2008. Vários nomes figuraram entre os favoritos do ano, como o italiano Claudio Magris, o sírio-libanês Adonis, o americano Thomas Pynchon, a canadense Margaret Awood e o japonês Haruki Murakami encabeçavam a lista de apostas para o prêmio deste ano. O prêmio Nobel de literatura é o mais prestigioso e cobiçado prêmio literário do mundo. Consiste em 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão ou R$ 2,63 milhões), uma medalha de ouro e um diploma.

Le Clézio nasceu em Nice, em 1940, sendo autor de quase duas dezenas de livros. Viveu nas Ilhas Maurícias, de onde mantém o passaporte, e que lhe sugeriram o cenário para o romance O Caçador de Tesouros. Neste momento, vive no México e continua a escrever: Je veux écrire une autre parole qui ne maudisse pas, qui n’exècre pas, qui ne vicie pas, qui ne propague pas la maladie.




03/10/2008

Questões poéticas IV

O que dos seres invisíveis me toca?
O abandono perverso
o verso ao contrário
o trava-língua?

Por que suas faces pálidas me remetem
a tempos de solidão
desmontando a persona status quo?

Serei eu o seu avesso?
por que sua existência me fortalece
e faz sentir mais viva?

Serão os invisíveis, anjos?

27/09/2008

Potere

eu posso escolher ser
este não ser
Devagar redescobrir o mundo
respirar pela primira vez
abrir os olhos e ser inundado
por luzes que, outrora,
eram bloqueadas pelo cinismo
lançar-me no abismo
Em busca do magma da esperança
re-desenhar minha cartografia profunda
ao infinito
sem pressa
sem medo
sem maiores cuidados
com prazer
intuição e
perseverança

Poema dedicado à Rugênia e Sandra

17/09/2008

Poema sem título (nº 45)

É obsceno produzir lixo em profusão
degradar a natureza
elogiar a razão indolente
que se estrutura sob o signo da incerteza
É triste não ter colo pra descansar
Ser este ser em confusão
perdido no mar da indiferença
anseando salvação
compaixão
benevolência
um gesto simples
um sorriso
Para aplacar a sede de amor
que se sente na ilha seca em que
cada um de nós se transformou

bairenata

16/09/2008

José Saramago lança blog




O ciberespaço do nobel de literatura irá trazer textos, comentários e reflexões feitas pelo escritor. Intitulado "O Caderno de Saramago", o blog está disponível dentro do site da Fundação Saramago e já conta com dois textos publicados.

segue site :


11/09/2008

Uma linda história de amor e superação!

Amigos,
Até onde pode ir o amor de um pai por seu filho?
Um presente para mim e para você!


Fantástico: 29/06/2008

Vidas Secas: O processo de desertificação no ES

O que mais preocupa não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons.
Martin Luther King
Essa queimada eu fotografei passando pelo Soído de baixo, em Marechal Floriano. É de dar dó, ao redor tudo estava devastado, várias lagoas sem vegetaçaõ ciliar ao redor...
Eu me pergunto como eu que nem moro em marechal vejo isso e tantas outras coisas e os órgãos responsáveis não?
OJornal A Gazeta trouxe uma reportagem alarmante sobre a desertificação no ES.
Nosso estado está sendo transformado em deserto!
Problema que se desdobra em muitos outros como por exemplo o déficit hídrico. Gente, já está faltando a àgua e a inguinorança parece que cada dia mais enraizada, tudo por causa da ganância...é a desgraça da monocultura, do desperdício... e das queimadas indiscriminadas.
É só vocês subirem a serra capixaba, passem por Marechal Floriano, Domingos Martins, e arredores, para ver... é fogo para todo lado... como eu digo, é a inguinorança!!!
o que nós, simples mortais, podemos fazer?

Educação ambiental: uma questão de consciência e boa vontade

Lili está preocupada com o futuro do planeta!!!
Amigos, a quantidade de plástico utilizada nos supermercados é estrondosa, uma verdadeira "inguinorança"!!!!

Uma forma que eu encontrei para diminuir com as sacolas plásticas, com a intensão de parar totalmente muito em breve, foi colocar as frutas legumes e verduras numa caixa de papelão e os resto das compras dentro dessas sacolas ecológicas que, diga-se de passagem, são bem gulosas, cabem muita coisa...
É possivel fazer compras no supermercado, na padaria, na feira, etc... sem utilizar sacolas plásticas, basta um pouco de consciência ambiental, saber que essa jossa leva 400 anos no lixão para se decompôr, além poluir nossa cidade e matar muitos animais marinhos quando chega ao mar. Uma pequena dose de boa vontade torna tudo mais fácil!

Eis as compras
Passando no caixaSe pegar uma cesta e colocar dentro do carrinho não precisará utilizar sacolas.

08/09/2008

Uma homenagem a você, amigo visitante!

Para matar saudades dos tempos de adolescente... Legião urbana...
Você pode escutar a música enquanto navega no blog...




Eu canto a Pátria-planeta

Eu canto a Pátria-planeta
antes que o pensamento se perca
divaguando entre futilidades

Pátria amada!
Mãe gentil!
Assim também te cantam Cains
de bocas encarniçadas

Pátria armada!
Suor, sangue e lágrimas
Salve! salve!
salve-se quem puder

Pátria refém da serra elétrica
que corta esperanças e
aniquila ideais

A minha alma anseia
ao som do mar
e a luz do céu profundo
ver brotar de ti
POESIA
e não apenas
desencanto, tristeza,
soja, café,
eucalípto e
cana- de- açucar

homem cabeça

homem cabeça se acha o tal
manda e desmanda
destrói a natureza
cria armadilhas
até mesmo para si
Não acredita em energia
em aura ou prana
não curte a contemplação
ridiculariza e até desdenha
das emoções, do amor
Diz serem clichês
vive no automático
como se fosse robô.

bairenatabomfim

03/09/2008

confissões de uma apaixonada

O sol toca a minha face
aquece o peito resistente
lança luz sobre
o meu maior tesouro
um coração dourado e ardente
No compasso das estações
este órgão apaixonado
e tenro
pende entre o derretimento
e a evaporação.
Não sei mais se tenho um coração
ou se o cardio-bandido
subverteu a ordem
e é quem me detém
refém de sentimentos
que me engolem.

01/09/2008

gênesis compartilhada

Querido
Vamos conjugar nossos verbos
Formar palavras-imagens
Flexibilizar rígidas frases
Subverter o alfabeto
Enunciar as boas novas
Gozar das texturas plurais
dos domínios da sintaxe
Celebrando os milagres da língua
que se realiza em múltiplas e
paradisiacas miragens.

30/08/2008

era uma vez um conto

Era uma vez...
Eram duas vezes...
Eram três...
O conto já se desmanchava
dentro do livro
Tudo estava diferente
A Princesa encantada do Vigário
desdenhava do Principe entediado
e de seu cavalo pálido
A Bruxa recém convertida
desfiava fervorosa o tercinho
O Mago gagá só fazia polir
o tacho de latão
Nada mais de sortilégios!
nem de perigos
Nada de paixão desefreada
de beijo apaixonado
ou maçã envenenada
e o pior
Nada mais de final feliz
Nem te conto!
Os súditos aborrecidos
já faziam as malas
"Chega de ser vassalo"
dizia o mais exaltado
Inimaginável os descaminhos
do imaginário

29/08/2008

Amigos da Lusofonia...

Bate papo no Mestrado de Estudos Literários da UFES:
O convidado é Pedro Eiras, professor Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A palestra intitula-se: "Os caminhos cegos. Da novíssima poesia portuguesa". O evento terá lugar no auditório do IC-II, no dia 05/09, às 17:00 h.


Entre outras atividades, Eiras é investigador no Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Desde 2001, publicou livros de ensaio, peças de teatro, ficções.Com o livro Esquecer Fausto, ganhou o Prémio PEN Clube Português de Ensaio em 2006. Investiga e publica estudos sobre autores portugueses dos séculos XIX a XXI, bem como ensaios de índole comparatista e inter-artes. As suas peças de teatro têm sido publicadas, traduzidas e encenadas em Portugal, França, Grécia, Eslováquia, Roménia e Brasil. BibliografiaAntes dos Lagartos, teatro, in Dramaturgias Emergentes, vol. 1, Dramat-Cotovia, 2001.
Bem, vocês viram o curriculo do rapaz, imperdível este encontro!
Vejo vocês lá!

Convite para um chá

Vamos tomar chá
amigo
e conversar
Falar dos desgostos
e das alegrias
Só não vale a essa altura da vida
mentir e nem dissimular
Vamos lembrar com saudades
dos tempos idos e
acenar para o amanhã
Vamos nos revelar
Deixar cair a máscara
Reencontrar a verdade facetada
Rir e passar uma borracha
naquilo que já não interessa
O que a vida nos fez?
Face da moeda
Espelho que reflete aquilo que
da vida fizemos
revelando o amor que espalhamos
as árvores que plantamos
os seres que alimentamos e
as dívidas que tivemos
a coragem de cobrar
Prazer, desgraça?
Linhas malditas e amaranhadas
Laços frouxos e muitos até puídos
o passado quer embrulhar o nosso presente
Eu digo Não
e inauguro um novo livro da vida
cheio de páginas em branco
esperando por garatujas e novos escritos
Amigo
Só tenho feito cantar
o canto foi a solução que bebi
pra curar as feridas abertas
Foi também o espaço que escolhi
para fincar as minhas raizes
taõ ressequidas e desejosas por profundidade
Não o canto escuro e sombrio
do medo e da fantasia infantil
assombrado pelo ostracismo
e pela a solidão perniciosa
O canto a que me refiro é o lírico
o da vida em expansão
Toco o intrumento da oportunidade
e suas cordas geram notas de encantamento
reverberam na alma e transbordam emoção
Rio às lágrimas!
Nesse mundo desnorteado
essa fonte marca o centro
do território da singularidade
suas águas são unguento e solução que
não se pode comprar
mas se adquire com árduo comprometimento
Somos humanos
ensinados que já nascemos pecadores
e incentivados a aceitar e
até mesmo a cultivar a dor e a melancolia
Celebremos então nossas falácias
mas que nosso foco seja a alegria
Celebremos nossos mais erros que acertos
e façamos poemas sem pontuação
Desejo que nos reencontremos
com a cara mexida pelo tempo
mais bonitos
eu acredito
Tomemos então amigo
o chá do contentamento

27/08/2008

poeminha bicho híbrido

Meu pensamento
límpido
vagueia
Percorre a gleba
Cruza mares
Busca abrigo
no teu seio
Pássaro- sereia

byrenata

Machado & Guimarães: um lance de dois

Amigos, imperdível!
A Academia Feminina Espírito Santense de Letras e a Universidade Federal do Espírito Santo, com patrocínio da Lei Rubem Braga e apoio da Vale apresentam uma série de palestras sobre dois dos maiores escritores brasileiros Machado de Assis e Guimarães Rosa. Este evento comemora os centenários de nascimento de Guimarães Rosa (27/06/1908 – 19/11/1967) e de morte de Machado de Assis (21/06/1839 – 29/11/1908). Serão cinco sessões, de agosto a dezembro de 2008, com professores especialistas, da Ufes e de outras instituições de ensino e pesquisa, falando sobre aspectos diversos das obras dos escritores em pauta. Haverá, sempre, um coordenador-debatedor, encarregado não só de formular perguntas para os palestrantes como também de fazer a intermediação entre estes e o público.
Palestras:
29/08: Machado: “Um santo de pau oco: moral e sexualidade em Dom Casmurro”, com Wilbett Salgueiro. Rosa:“Uma recriação fiel: diálogos entre o autor e o seu tradutor”/Erlon Paschoal
19/09:Machado: “Não há remédio certo: loucura e paixão na obra de Machado de Assis”, com Ruy perini. Rosa:“Equívocos propositais: dos tempos homéricos aos de Rosa e aos de agora”/ Lino Machado
17/10:Machado: “O corte e a corte do Machado”, Sérgio Amaral. Rosa:“As dobras do sertão: palavra e imagem”/ Jô Drumond
21/11-(meu aniversário) : Machado: “Machado de Assis, tradutor de Hugo”, Diego Flores. Rosa:“Rosa e a fotografia”/ Raimundo Carvalho
05/12: Machado: “O teatro oblíquo de Machado de Assis”, Marcelo Paiva. Rosa:“Uma voz espírita em Grande sertão: veredas”/ Sandra Lima
Todas as palestras serão as 15h nos ICS II e IV. A entrada é gratuita e serão conferidos certificados aos presentes. Qualquer dúvida contatar a secretaria do PPGL pelo tel: 33352515.

Entre Santos e frutos de ouro: Nice Nascimento Avanza

ARTES PLÁSTICAS NO ESPÍRITO SANTO
Amigos,
O primeiro contato que tive com a obra da artista plástica Nise Nascimento Avanza, foi no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) numa exposição retrospectiva de sua obra. Nice nasceu em 1938, em Vitória, ES, no bairro de Caratoíra onde reside até aos 9 anos. Dificuldades financeiras fizeram com que os pais da artista se mudassem para São Paulo em busca de trabalho, sua mãe passou a prestar serviços como lavadeira no Colégio externato Sagrado Coração, das irmãs Vicentinas.

Aos 16 anos Nice se casou pela primeira vez, o casamento não dá certo, separa-se e, com dois filhos, retorna para Vitória. Lutando pela sobrevivência, Nice trabalha na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, possui uma quitanda no Bairro Alto Caratoíra mas, seu sonho, é ser cantora de rádio.
Nice realiza seu sonho, passa a cantar em programas de calouros e chega a profissional de rádio, se apresentando na Rádio Espírito Santo e firmando contrato com a Rádio Capixaba, nessa época, conhece o segundo marido, com quem terá outros dois filhos.
A incursão da artista pelo mundo da pintura acontece por incentivo dos amigos que a observam, encantados, desenhar sobre papéis de embrulho da lanchonete onde trabalhava. A primeira encomenda de quadro recebida por Nice, foi paga com pinéis e tintas, seu talento logo revelou-se e ela passou a produzir mais e a expôr.
Em1969 o MAES inaugurou a primeira exposição de Nice com cerca de 15 quadro. Nessa ocasião Moa escreve sobre a artista: "Esta artista capixaba. A mulata dos olhos bonitos, tem o dom e a felicidade de ver ingenuamente a beleza da natureza sem contorno, que na sua imaginação o tem".A obra de Nice é primitivista, dentre os temas de preferência da pintora destaca-se o cacau, "fruto de ouro" , e sua obra reflete o movimento de contra cultura de sua época no campo artistico. Cenas religiosas,do dia a dia no campo e dos animais, também povoam o universo artítico de Nice, que deixou uma obra vasta e rica. Enfim, queridos, Nice é uma figura muito importante no cenário artístico capixaba e brasileiro, esperamos ver outras vezes seus trabalhos expostos e, tomara que, ela e tantos outros, se tornem objetos de pesquisa na nossa Universidade.




Fonte: as informações descritas apoiam-se no material desenvolvido pelo MAES na época da retrospectiva de Nice.
A obra Nice s/titulo 85x72, que antes fazia parte do arcevo de Jose Agusto Avanza, pertence agora ao colecionador capixaba Joabi Caldeira, a quem parabenizo pelo cuidado com obra de Nise e agradeço o convite para visitar o acervo.

26/08/2008

Fome

Os sentidos estão despertos
É bomba- relógio essa pele que arrepia
e vibra sobre a carne
prestes a explodir

Dupla epiderme
Tecidos dourados
recobertos por pêlos-espinhos
estendem-se ao infinito
ligando mãos que não sossegam
que te batem,
esfregam e
incendeiam com gestos obcenos

Mãos que ao fim da noite
rezam profundos arrependimentos
Tocam fervorosas as chagas divinas
rogando pelo milagre do esquecimento

Narinas despertas de loba te farejam
teus segredos são violados
e a boca
essa gruta ávida
busca ser habitada pelo teu desejo

Linhagem divina-demoníaca
Sonhos famintos não aceitam sobejo
neles me delicio até às migalhas
lambendo os dedos maculados
Mandíbulas oníricas
se comprazem em te mastigar inteiro

Mas nada,
nada realiza esse bicho
herdeiro da falta ontológica
que ainda sente fome

No estômago da alma
um buraco negro suga
o amor, o mistério a fantasia
E a fome persiste
metamorfoseada
em busca ferrenha que
nenhuma resposta sacia.

Um passeio pelo centro de Vitória/ ES

Amigos,
hoje eu estive no centro de Vitória. Muitos projetos têm buscado revitalizar este espaço que é cheio de casarões antigos, cuja grande maioria, infelizmente, se encontra em estado de abandono, muitos completamente encobertos por fechadas de lojas. Há um bucolismo nesse lugar, é impossível ir ao centro e não ficar totalmente perdido com os achados inusitados, como por exemplo a loja de chapéus Panamá que encontrei. No Parque Moscoso eu encontrei um lambe lambe, profissão que está acabando. o lambe lambe nasceu da prática de se fotografar em jardins, este profissional da imagem tem uma câmera-laboratório que contém uma caixa de madeira dotada de uma objetiva, esse maquinário fica apoiado num tripé. A câmera se divide em duas partes, sendo que a inferior contém os dois banhos, revelador e fixador, que servem tanto para o processamento químico de filmes, quanto de papéis. Para enriquecer mais ainda a cena, o equipamento do lambe lambe estava embaixo de um semáforo antigo, original, da época em que as mulheres capixabas usavam melindrosa.
Bem, um passeio pelo centro de Vitória é um passeio pela cultura e história do nosso estado, basta vencermos o ciclo vicioso 'Praia do canto-Shopping Vitória', deixando um pouco de lado a preguiça e a comodida e partirmos para a exploração desse ambiente antigo e desconhecido.

25/08/2008

Homenagem aos Amigos: Fanatismo - Florbela Espanca (interpretado por Fagner)

Amigos,
Florbela Espanca é objeto de minha pesquisa de mestrado na UFES. Desde os quinze anos de idade eu leio seus poemas. Compartilho esta paixão, que não chega a ser fanatismo, com vocês, parceiros e amigos do Letra e Fel e dedico esta canção.
Abraços fraternos
Renata

obs: A última parte da Musica que diz: "Eu já te falei de tudo, mas isso ainda é pouco diante do que sinto", é parte de uma música de Roberto Carlos.

24/08/2008

jornada

Parido na raça
Ele chegou ao mundo
com um grito de guerra
Imaculado, ávido e sem cascas.
Começou a grande odisséia
rumo ao lugar de onde partiu
ou, quem sabe, sonhando
ascender outras esferas.
Esse espírito recém chegado,
esse indomável que nos habita,
ensaiou ser filho, irmão, pai, mãe, amante,
e foi crescendo, evoluindo,
tornando-se belo, gigante.
Um dia viu-se caindo, rendido,
quando percebeu que,
mais adiante, outras sensibilidades
buscavam dialogar.
Então o gigante, de alma rara e bruta,
diamante, se reclinou,
beijou a mulher amada, a criança divina,
sua face iluminou-se.
Acariaciado pelo tempo,
coração abrandado.
O gigante foi diminuindo,
ficando maleável, até que,
pequenino, já no fim da viagem
descandou dentro de um botão de rosa.

20/08/2008

Uma bela visita!

Amigos, ha mais de dois anos venho me dedicando a campanha que chamo pássaro livre. Incentivo as pessoas que gostam de passarinho a colocarem nas suas varandas e quintais comedouros abertos com canjiquinha, alpiste e frutas, cada um destes alimentos atrai pássaros diferentes. Hoje eu coloquei no comedouro um pedaço de abacate e olhem quem veio para o almoço? Nós tentamos (o que é muito dificil) conscientizar algumas pessoas que, se o bicho tem asas é pra voar, e que é um crime privar qualquer ser vivo da liberdade e do convívio dos seus, visto que, a maioria dos pássaros, por exemplo, vive em bando ou dupla (casal). E esse ato incentiva que muitos crimes sejam cometidos contra os animais, é só ver quantos bichinhos o IBAMA apreende sendo mantidos em péssimas condições e as vezes muitos não sobrevivem.
Segue a foto do meu ilustre visitante.
Ajudem a espalhar esta idéia.
Abraços fraternos
Renata

PS: Se você tiver conhecimento de crimes dessa natureza, denunciem ao IBAMA, segue o site : http://www.ibama.gov.br/ecossistemas/ No ES denuncie nos números: 33241811/ 33243514

19/08/2008

Pachamama

Terra mista.
Desertos, prados
e alagados fazem de ti bendita.
Gleba fértil.
Casa-lar dos seres (in)vertebrados.
Metal abundante
teu habitat dourado.
Duradouro sentido de existência
suscita o teu colo, o teu afago.
Fêmea que se auto- gerou no caos
embalada pela canção de amor
entoada pelo ser primordial.
Em tua honra, humildes, ofertamos
libações, sementes e flores coloridas.
A lua minguante
revela a face da tua cólera,
a Deusa-dragão acorda.
Explosões, ira, revolta, e o teu furor volta-se
contra aqueles que, sem razão, ou por ganância,
abrem em ti feridas das mais dolorosas.
Mas trazes a paz e o equilibrio perdidos
por meio de terremotos e ventos que
do teu poder comunica.
Treme a base da vida que,
logo em seguida,
se solidifica pela esperança
e teu ventre recobra o frescor e,
como se fosse eterna alvorada
Nutriz, a mãe generosa
propicia novas guaridas.

18/08/2008

Museu de Imagens do Inconsciente- O legado da Dra Nise da Silveira

"Cada um desses indivíduos- esquisofrênicos ou marginais de vários gêneros- possui suas peculiaridades, mas todos têm contato íntimo com as forças naturais, brutas, virgens do inconsciente. Que hajam configurado visões, sonhos, vivências nascidas dessas forças primígenas, eis um dos mistérios maiores da psique humana" (Dra Nise da Silveira).
Amigos,
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
Dra Nise trabalhou para fundamentar cientificamente esta nova forma de lidar com os pacientes, e os resultados não demoraram a aparecer, juntamente com o surgimento de um grande volume de produção realizadas pelos pacientes (especialmente pinturas e modelagens), e estes, a medida que produziam, passavam a apresentar melhoras significativas no quadro clínico.

As imagens que resultaram desse trabalho passaram a intrigar a Dra Nise que buscou apoio na teoria junguiana para, de alguma forma, elucidá-las. lançar um olhar sobre a produção de um paciente era ter acesso a sua psique, coisa quase impossivel de ser feita por outra via, especialmente na esquisofrenia. Dra Nise viu que muitas das imagens produzidas eram formas circulares ou próximas do círculo, símbolo da unidade e da integração e identicas as imagens utilizadas para meditação e representação das divindades das religiões orientais. Ela se perguntou como e porque pessoas psiquicamente cindidas estariam estar produzindo, em profusão, simbolos da unidade? Dra Nise encontrou apoio em Jung que também ficou muito interessado nessas imagens.
A psique possui, assim como o corpo, potencial autocurativo, e busca compensar a situação caótica da mente e a dissociação por meio da produção de símbolos, que são pontes entre o mundo da psique e o mundo exterior, ou seja, a realidade objetiva. Este trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira acabou introduzindo a psicologia analítica junguiana no Brasil, e entre Jung e Dra Nise inicou-se uma profícua troca de experiências. Jung literalmente mandou a Dra Nise estudar os mitos, sem o conhecimento destes, não seria possivel uma compreensão mais profunda das representações produzidas pelos pacientes. Muitas imagens surgidas no ateliê tinham semelhanças com temas míticos universais, e os autores dos trabalhos, eram em grande parte, pessoas humildes, de classes sociais que não lhes permitiam grande acervo de conhecimento da cultura de outros lugares.
Esse trabalho é um marco para a psiquiatria no mundo, infelizmente mais conhecido e reconhecido no exterior que no Brasil e abriu portas para mudanças significativas na forma de tratamento no campo da saúde mental, certamente um orgulho para todos nós terapeutas e brasileiros. A psicologia junguiana não tem como único objetivo encontrar mitos representados na produção dos pacientes psiquiátricos, o seu interesse maior está em identificar e acompanhar nas produções o processo contínuo de elaboração dos conteúdos psiquicos, visando melhorar a orientação do tratamento para a melhora do paciente.
Encontro entre Nise e Jung
"Do mesmo modo que o corpo humano é um agrupamento completo de órgãos, cada um o termo de longa evolução histórica, também devemos admitir na psique organização análoga. Tanto quanto o corpo, a psique não poderia deixar de ter sua história" (C. G. Jung).

Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II

Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.

Tema mítico do dragão baleia:
Pintura realizada por Olívio Fidélis (1967)

Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.

O tema mítico de Mitra:
Lápis de cor sobre papel de Carlos Pertuis (1975)

Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.

Rituais:
Óleo sobre papel de Carlos Pertuis
Sacrifício para a divindade serpente- Placa votiva- Sialesi (Eteonis) Beócia.

Alquimia:
Óleo sobre papel de Octávio Ignácio (1972)

Águia como símbolo do espírito elevando-se da matéria prima. Ilustração alquímica do séc. XVIII.

Mitos egípcios:
Lápis de cera sobre papel de Carlos Pertuis

Deus Rá e a barca do Sol- detalhe de papiro egípcio da 19ª dinastia.
Este estudo encontra-se na íntegra no site do Museu:

16/08/2008

fração de tempo

Recortem este momento
Estou feliz!
Parem o barulho dos carros
Parem as cirenes e os gritos.
Iniciem os apertos de mãos,
os abraços.
Parem a guerra e o pranto
Extingam a fome de amor
Parem de infligir dor
Parem!
Parem tudo!
Quero guardar para sempre
este momento!

heranças

Vovó sempre me dizia:
"Sorria, minha filha, sorria sempre,
pois o sorriso abre portas e janelas".
O tempo me ensinou que
portas fechadas são, muitas vezes
necessarias e as janelas, essas,
mesmo com vidraças embaçadas e
trancas emperradas,
protegem da exposição demasiada
e dos ventos.
Já não conhecia mais o meu rosto triste
sempre sorrir! eu pensava,
mas por dentro,
a face se transfigurava com afetos,
dores e lampejos de mim mesma.
Hoje a minha cara ensaia ser
o que manda o caração e
o que sugere os sentimentos
gerados pelas vísceras.
Menos máscaras,
Menos encenação
Abriu-se o laboratório do espírito
com todas as suas portas e janelas.